Agricultores franceses iniciaram um bloqueio antes do amanhecer desta quinta-feira (8) nas estradas que levam a Paris e em vários pontos turísticos da cidade, em protesto contra o acordo comercial que a União Europeia espera assinar em breve com o Mercosul, bem como contra outras queixas locais. Vários sindicatos de agricultores convocaram os protestos em Paris em meio a temores de que o acordo de livre comércio planejado com o bloco de países da América do Sul inundará a UE com importações de alimentos baratos, e em indignação com a forma como o governo está lidando com uma doença que afeta o gado. "Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos um sentimento de abandono, com o Mercosul sendo um exemplo", disse Stephane Pelletier, membro do sindicato Coordination Rurale, à Reuters ao pé da Torre Eiffel. Os agricultores romperam as barreiras policiais para entrar na cidade, dirigindo pela avenida Champs-Élysées e bloqueando a estrada ao redor do monumento Arco do Triunfo, enquanto a polícia os cercava. Dezenas de tratores obstruíram as rodovias que levam à capital antes da hora do rush matinal, incluindo a A13 que liga Paris aos subúrbios ocidentais e à Normandia, causando 150 quilômetros de engarrafamentos, disse o ministro dos Transportes Philippe Tabarot. Votação O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes da votação do acordo comercial pelos Estados-membros da UE. Sem maioria no parlamento, qualquer erro político de Macron pode resultar em um voto de desconfiança na Câmara. Há muito tempo a França tem sido uma forte oponente do acordo comercial e, mesmo depois de obter concessões de última hora, a posição final de Macron ainda é desconhecida. Nesta semana, a Comissão Europeia propôs disponibilizar € 45 bilhões em financiamento da UE mais cedo para os agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco e concordou em reduzir as taxas de importação de alguns fertilizantes em uma tentativa de conquistar os países que estão hesitando em apoiar o Mercosul. O acordo é apoiado por países como a Alemanha e a Espanha, e a Comissão parece estar mais próxima de obter o apoio da Itália. O respaldo de Roma significaria que a UE teria os votos necessários para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio da França. Dermatite nodular Os agricultores também exigem o fim da política governamental de abate de vacas em resposta à doença altamente contagiosa conhecida como dermatite nodular contagiosa, que consideram excessiva, defendendo, em vez disso, a vacinação. A polícia estava evitando confrontos com os manifestantes, disse o ministro: “Os agricultores não são nossos inimigos.” *Reportagem adicional de Camille Raynaud Relacionadas Brasil mantém otimismo com acordo Mercosul–UE, diz Alckmin Mercosul defende medidas para proteção de crianças no ambiente digital