Há um momento na vida adulta em que muitos passam a repensar as suas escolhas e se sentem desorientados. Na psicologia, essa fase é chamada de "crise dos 30". Na astrologia, é o tal do retorno de Saturno. "Não queria parecer cafona, mas sou ligada em astrologia e acho que o retorno de Saturno me trouxe diversos questionamentos", disse Nanda Costa. Um deles, seriamente cogitado, foi a decisão de interromper a carreira de atriz. Imagine uma profissional que acumula prêmios no cinema - inclusive internacionais - e já foi protagonista de novela do horário nobre da principal emissora do País tomar essa decisão antes de chegar aos 30 anos de idade. "Estava sem estímulo", admite.
Nanda foi a atriz-sensação do cinema nacional. Emplacou, sequencialmente, três bons trabalhos: "Sonhos Roubados" (2010), "A Febre do Rato" (2011) e "Gonzaga - de Pai pra Filho" (2012). Chamou a atenção da autora Glória Perez, que rapidamente a convocou para "Salve Jorge" (2012), na Globo. Após uma sequência de coadjuvantes - todas bem executadas -, veio sua primeira protagonista. E numa novela das 21 horas. Um salto enorme, e merecido, a uma atriz que tinha muito a oferecer. Mas sua Morena não emplacou. A atuação foi elogiada, mas o problema estava no roteiro de "Salve Jorge", considerada uma das piores novelas da história da TV brasileira. "Acho que a vida é como o ciclo das marés. Às vezes está alta, e às vezes, baixa. E a gente precisa aprender a surfar as ondas que vêm", reflete.
Dois trabalhos que surgiram em 2016 a fizeram retomar a consciência de sua vocação para a profissão: Luzia, de "Entre Irmãs" (filme que a Globo adaptou para uma minissérie), e Sandra Helena, de "Pega Pega". Duas mulheres de naturezas opostas, que a ajudaram a por fim nas dúvidas sobre seu futuro. "A Luzia me encheu de garra, força e coragem. Passei dois meses no sertão, e é impossível a gente não voltar diferente. A gente se conecta mais com a natureza, apesar de ser um lugar inóspito. Luzia é uma menina guerreira e determinada. Eu me vi com as minhas fragilidades tendo que enfrentar uma mulher tão forte e destemida. A partir dela a profissão começou a fazer sentido".
Dentro deste contexto, ela conseguiu se entregar a Sandra Helena, a ladra de "Pega Pega". Um furacão de mulher, de risada ampla, perua, sensual. "Estava com medo, receio de não dar conta", explica. O medo, segundo ela, nunca a paralisou. "Vi que Sandra Helena era rica em desafios. Queria surpreender a mim mesma e me joguei de cabeça, sem medo de ousar".