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Um longa com elenco estelar (Antonio Fagundes, Caio Blat, Caco Ciocler, Emílio de Melo, Marcos Caruso, Alexandra Martins, dentre outros), com locações em um hospital e em uma emissora de TV em São Paulo, além de diversos pontos no Rio de Janeiro, obrigaria qualquer produtor a sair à caça de milhões de reais. Pois "15 Segundos, o Filme" envolverá todos esses detalhes que garantem sua qualidade e seu custo não ultrapassará os seis dígitos. "Encontrei um diretor/produtor, Paulo Pons, com uma filosofia de trabalho idêntica à minha, ou seja, sem usar as leis de incentivo, o que diminui os custos e oferece mais liberdade de trabalho", comenta Antonio Fagundes que, além de ser o protagonista, estreia como produtor cinematográfico.
O sistema remonta a uma forma antiga e saudável de se produzir teatro utilizada por Fagundes desde os anos 1980: por meio de uma cooperativa. Ou seja, não se buscam patrocinadores tampouco a produção é inscrita nas leis de incentivo. Dessa forma, Fagundes conseguiu, no início da carreira, implementar o esforço coletivo para levantar, na época, espetáculos instigantes como "Morte Acidental de um Anarquista" e "Cyrano de Bergerac". E a experiência se repete nos dias atuais com "Tribos" (2013) e a montagem que está em cartaz, no Teatro Tuca, "Baixa Terapia", que, devido ao grande sucesso, estendeu a temporada até dezembro. "Atores e técnicos somam seus talentos a favor da produção e repartem os dividendos", explica Fagundes.
Ele descobriu que seu discurso encontrava eco no de Paulo Pons, cineasta gaúcho de 43 anos, que vem se notabilizando por longas de baixo orçamento, mas de grande qualidade técnica. É o caso, por exemplo, de "Vingança", rodado em 2008 a um custo modestíssimo de R$ 80 mil. Elogiado pela potência interpretativa de seu elenco (Bárbara Borges, Erom Cordeiro, Branca Messina), o filme disputou o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado daquele ano e foi o único longa brasileiro de ficção a ser selecionado para o Festival de Berlim de 2009.
"Com essa busca por um custo de produção baixo, não tenho a intenção de mudar a estética do cinema brasileiro, mas apenas encontrar um meio de fazer filmes com liberdade. O desafio é chegar a um bom acabamento", conta Pons. Foi nesse detalhe que seu casamento artístico com Fagundes começou. O ator se interessou pelas histórias e produções de Pons, e, desde então, a parceria entre eles foi efetivada.
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