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Luisa Arraes é uma figura bissexta na tevê. Com poucos e pontuais trabalhos, ela se orgulha de acumular papéis marcantes e pouco convencionais por onde passou - nas séries "Louco Por Elas" e "Justiça" e na novela "Babilônia". Agora, espera repetir o mesmo sucesso em "A Fórmula", que está sendo exibida às quintas-feiras pela Globo. "Bons projetos são bem-vindos, independentemente do formato", aposta.
Na série de Marcelo Saback e Mauro Wilson, ela interpreta um personagem duplo. Nos anos 1980 é Angélica, personagem que é defendida por Drica Moraes na fase adulta. Depois, dá vida a Afrodite, alter ego de Angélica que nasce após um experimento científico. "Todo mundo, em algum momento, já pensou como seria se o tempo voltasse atrás, se surgisse uma nova versão de si mesmo, mais jovem. E vamos brincar com isso", explica.
A comédia gira em torno dos ex-namorados Angélica e Ricardo, interpretado por Kléber Toledo e Fábio Assunção, que se conhecem na faculdade de Biologia e se afastam após terem planejado uma vida juntos. Trinta anos depois, eles se reencontram e ela se frustra por ver o desapontamento de Ricardo, que espera reencontrar a mesma mulher que ficou no seu imaginário. Angélica, então, decide ser cobaia do próprio experimento. "Nos anos 1980, é uma história romântica. E depois a Afrodite já tem todas as paranoias criadas pela Angélica. É uma outra mulher, que acaba se tornando rival de sua versão do futuro", adianta a atriz.
Gravados em pouco mais de dois meses, os oito episódios de "A Fórmula" tiveram uma preparação que começou bem antes. Luisa saiu na frente, quase sem querer. "Comecei a estudar a Drica quando decidi seguir a carreira de atriz. Ia nas peças dela. Quando soube que ia dividir com ela pensei: já pratico isso há anos", conta, com orgulho.
E, assim que foi convidada pela diretora Flávia Lacerda, que divide a assinatura da produção com Patrícia Pedrosa, começou um trabalho de preparação junto com Drica Moraes. "Tudo que ela fazia, eu fazia. E vice-versa. Fomos pegando os trejeitos por osmose", garante Luísa.
Além da intensa convivência que fez com Drica, das leituras com os autores e do trabalho com as diretoras, a atriz também recorreu ao cinema para se preparar para viver a dobradinha de Angélica e Afrodite. Obras do cineasta espanhol Pedro Almodóvar e o filme estadunidense "A Morte Lhe Cai Bem", de Robert Zemeckis, foram suas maiores referências para as personagens. "Foi muito bom para pegar o tom da comédia que a gente queria", analisa. ("A Fórmula", Globo. Quintas-feiras, 23h10)