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É difícil afastar o estereótipo do garoto carioca e surfista de Dudu Azevedo. Seja pelos papéis que desempenhou - tanto na tevê quanto no cinema - ou pelo físico do ator. No entanto, há dois anos na Record, ele vem interpretando tipos que fogem da sua zona de conforto.
No ar como o escravo Asher, de "O Rico e Lázaro", Dudu acredita que os recentes desafios vêm para mudar sua carreira. "Fico lisonjeado e reconhecido por ser chamado para fazer esses personagens. Sinto que estou caminhando para frente em passos largos", diz, orgulhoso.
O ator garante que precisava dar esse salto e ter na mão um protagonista para se ver motivado, mas não descarta voltar a viver tipos mais contemporâneos - seja na sua nova casa ou de volta à Globo. "Tenho de tratar o tempo como um amigo. Vou passar o tempo que tiver de passar aqui. Só não posso voltar a me acomodar", reflete.
A história de Paula Richard conta a saga do triângulo amoroso formado por Asher, Zac e Joana, interpretados por Dudu, Igor Rickli e Milena Toscano. Após o avanço das tropas da Babilônia nas terras hebréias, Asher é levado como escravo pelo pai de Zac. O amigo, que sempre teve inveja de seu relacionamento, mente sobre sua morte e acaba ficando com a mocinha.
"É uma história de sofrimento, de perdas e de luta. A fé dele é colocada à prova o tempo inteiro e ele tenta se manter como um cara do bem", define. A partir daí, as atitudes de Asher e Zac vão ficando cada vez menos maniqueístas e o fruto delas levam um para o céu e o outro para o inferno.
Ter participado de "Os Dez Mandamentos" deu uma boa bagagem para Dudu estar à frente de "O Rico e Lázaro". Por mais que tenha feito workshops e estudos bíblicos sobre a época, o que mais pesou foi a parte física de seu personagem. "Ele vira um lutador de rinha e passa a ter de brigar para garantir a sua sobrevivência", explica. Para viver mais a fundo seu papel, o ator dispensou os dublês oferecidos pela emissora.
Natural do Rio de Janeiro, Dudu sempre foi engajado nas artes de forma geral. O gosto pela música surgiu devido a influência de seus irmãos e, logo depois, veio a vontade de atuar. A estreia foi na aclamada "Confissões de Adolescente", em 1994. De lá para cá, atuou em 12 novelas da Globo, em diversos filmes e ainda foi repórter do "Vídeo Show". E agora vive o desafio de uma novela de época. "Acredito que a Bíblia seja fonte de inspiração para todas as histórias. Para mim, o que muda é o pano de fundo. Mas os conflitos acabam sendo os mesmos", analisa.
Variar é importante para o ator não cair na rotina. "Eu também levo em paralelo o trabalho com a minha banda, Zunido, onde toco ao lado de amigos de infância e ainda componho algumas letras", entrega. ("O Rico e Lázaro", Record. Segunda a sexta-feira, às 20h45)
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