Por onde passa, Claudia Raia chama atenção. Seja por sua altura - 1,78 m -, voz grave ou jeito expansivo de gesticular. Tudo na atriz tem um "quê" de extravagante. Não é à toa que suas personagens em novelas, em geral, acompanham esse estilo.
Na pele de heroínas, como Donatela, de "A Favorita", sua primeira protagonista em novelas das nove; de vilãs, como Lívia Marini, de "Salve Jorge", ou em tipos mais caricatos, como Samantha, de "Alto Astral", ela sempre marca presença nas produções. Agora, em "A Lei do Amor", tem a chance de unir tudo na pele de Salete. "É personagem completa. Em uma mesma cena, posso fazer drama, comédia, tragédia...", empolga-se.
A trajetória artística de Claudia começou na dança. Como bailarina, ela dançou profissionalmente na Argentina e nos Estados Unidos. Aos 13 anos, ganhou uma bolsa para estudar balé em Nova Iorque (EUA), onde morou por quatro anos. A estreia na televisão foi aos 17, na pele de Carola, contracenando com Jô Soares, no quadro "Vamos Malhar", do programa "Viva O Gordo".
De lá para cá, sua primeira novela foi "Roque Santeiro", onde viveu a dançarina Ninon. E, ao longo da carreira, acumulou personagens cômicas em produções como "TV Pirata" e "Sassaricando", papéis sensuais, como a personagem-título de "Engraçadinha", e tipos dramáticos pontuais, como a protagonista de "A Favorita".
Com 32 anos de televisão, ela encara o trabalho em "A Lei do Amor" como uma grande novidade. Principalmente por conta da preparação que teve com Eduardo Milewicz. "Estou tentando fazer algo novo, acompanhando o que há de mais moderno na maneira de interpretar. Internamente, estou muito diferente como atriz por causa da maturidade e muitas mudanças na minha vida. Mas esse trabalho traz um novo respiro", avalia.
Origens
Natural de Campinas, São Paulo, a atriz perdeu há tempos o sotaque interiorano. Mas assim que começou a trabalhar na composição de Salete, em "A Lei do Amor", o jeito que costumava falar quando criança foi reaparecendo naturalmente a cada cena. "Ninguém nem tinha falado sobre sotaque comigo, mas isso foi surgindo. E traz uma coisa muito honesta do interior, uma coisa em que você acredita", avalia.
Apesar de a história se passar em uma cidade fictícia, não houve um trabalho específico de prosódia com o elenco. "É algo muito leve, mas traz uma simplicidade bacana", ressalta a atriz, que gostou de resgatar essa característica. "Eu tinha esse sotaque na infância, mas, para mim, é muito conhecido. Foi bacana trazer isso", conta. ("A Lei do Amor", Globo. De segunda-feira a sábado, às 21h20).