Com mais de 20 anos de tevê e dezenas de protagonistas no currículo, Murilo Benício se diz um apaixonado pelo esquema industrial do veículo. "É preciso estar sempre atento e ter jogo de cintura para não se repetir. A televisão me deu visibilidade e experiência para fazer qualquer coisa dentro e fora dela", analisa. Contar a história da implementação da tevê no país foi um dos motivos pelos quais o ator se encantou pelo projeto de "Nada Será Como Antes", série ambientada nos fervilhantes anos 1950, onde vive o visionário Saulo. "Meu personagem tem um pouco de Boni, Chateaubriand, Daniel Filho, Silvio Santos e outros", resume. O último capítulo deve ir ao ar nesta terça-feira. 
Natural de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, Benício teve seu primeiro contato com a tevê por meio de um papel pequeno em "Fera Ferida", de 1993. A estreia chamou a atenção da direção da Globo e outros personagens foram surgindo, sempre em uma crescente. Até que, por fim, o ator se tornou galã de novelas como "Meu Bem Querer", "O Clone" e "Chocolate com Pimenta", dentre outras. "Fui muito feliz fazendo mocinhos, mas nenhum ator vive só disso", analisa. Com toda sua complexidade e controvérsias, o empresário da produção assinada por Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado exemplifica bem o que o ator busca em um personagem. "Saulo é zero maniqueísta. Toda vez que começam a me enquadrar em algum tipo específico, tento fugir. Acho que tenho tido sorte", conta.
O primeiro protagonista do ator em novelas foi em "Vira-Lata", de 1996. Ao longo dos anos, o nome do ator se tornou forte dentro da Globo e acabou se destacando. Quando o assunto é repercussão, no entanto, ele separa "O Clone" e "Avenida Brasil" dos outros títulos. Tudo por conta do alcance internacional que ambas as produções tiveram. ("Nada Será Como Antes", Globo. Terças-feiras, às 22 horas).