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De personalidade forte e gestual intenso, Cassia Kis é do tipo que sempre levou a atuação a sério. A fama de ser uma pessoa "difícil" nos estúdios, entretanto, é subitamente refutada. "Sou exigente comigo. Quero dar sempre o meu melhor, mas respeito meus companheiros de cena. É como qualquer trabalho. Tem dias que as coisas não funcionam e ter o apoio de quem está por perto é fundamental", ressalta a intérprete da humilde Odete, de "Nada Será Como Antes".
Atriz das mais requisitadas na Globo, aos 58 anos, Cassia parece saber exatamente o que quer a cada momento de sua carreira. A estreia foi na Band, com uma personagem que nem nome tinha em "Cara a Cara", de 1979. Pouco tempo depois, ela já estava na Globo em papéis importantes de novelas como "Roque Santeiro" (1985), "Brega & Chique" (1987) e "Vale Tudo" (1988).
Nos anos seguintes, se destacou na comédia com a Ilka, de "Fera Ferida" (1993), envenenou boa parte do elenco de "Porto dos Milagres" (2001), na pele da vilã Adma, e emocionou o público como a mãe rejeitada pelo filho com a iludida Dulce, de "Morde & Assopra" (2011).
Dona de uma modéstia nada forçada, a atriz se mostra sempre aberta às novidades na teledramaturgia. É sua forma de estar antenada com uma novíssima geração de atores, onde, muito além da experiência, ela quer repassar o seu amor e o respeito pela atuação.
"Nada Será Como Antes" mostra a origem e engrenagens da profissão, mas Cassia conta que evita o saudosismo. "A preparação e as conversas de bastidores foram riquíssimas. Osmar (Prado), muito mais do que eu, sabe como as coisas eram intensas e difíceis. Ainda consegui pegar um pouco do esquema que levava alguém para a televisão", revela.
Segundo ela, os atores trabalhavam no teatro de terça-feira a domingo com peças adultas e infantis, em várias sessões duplas. "Na segunda-feira, a gente ainda se apresentava nas boates, era assim que as casas de shows eram conhecidas. E, uma hora ou outra, algum diretor reconhecia seu talento ou você ia até a porta da emissora pedir emprego. Não tinha esse glamour de hoje", conta.
A última participação da atriz em uma novela inteira foi em "Amor Eterno Amor", de 2012. Atualmente, cada vez mais ela se envolve com produções de menor duração. "Recebo alguns convites, mas, no momento, os mais legais estão vindo do (José Luiz) Villamarim", confidencia.
Com o diretor, Cassia fez a minissérie 'Amores Roubados' (2014) e a novela das onze 'O Rebu' (exibida no mesmo ano pela Globo). "Tenho um papel lindo no primeiro longa-metragem dele, que está prestes a ser lançado, e já engatilhamos outros projetos. Posso não estar em um produto de longa duração, mas estou sempre atuando", conclui a experiente atriz. ("Nada Será Como Antes", Globo. Terças-feiras, às 22h30).