No mês em que completa 44 anos, Reynaldo Gianecchini garante estar em uma fase confortável da sua vida. Na pele de Pedro, de "A Lei do Amor", ele fala com maturidade que enxerga a atual novela das nove como um processo terapêutico. Por dividir o protagonista com Chay Suede -
que defendeu o posto na primeira fase do folhetim -, viu no jovem ator muito de si no início da carreira. "Através dele, olhei para mim mesmo. Meus erros e acertos da juventude me guiaram até aqui e me transformaram em quem eu sou", filosofa.
Na história de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, Giane completa sua 12ª novela em 16 anos de contrato com a Globo. "Não sabia que eram tantas (risos). Tenho muito carinho por essa trajetória e sou grato por ter feito tantos personagens de destaque", celebra. Natural de Birigui, município de São Paulo, ele estreou em 2000 como o protagonista Edu de "Laços de Família". Na novela - um dos maiores sucessos de Manoel Carlos -, o personagem de Giane se dividia entre o amor que sentia por Helena, de Vera Fischer, e a filha dela, Camila, interpretada por Carolina Dieckmann. "Ali, não sabia de realmente nada. Fui jogado na cova dos leões para me virar", relembra, sem mágoa aparente.
Além da maturidade vinda com a idade e do jeito despojado, Gianecchini encontra ainda outras semelhanças com Pedro, personagem que defende em "A Lei do Amor". A solidão que levou, na ficção, Pedro a passar anos afastado da família, velejando pelo mundo, é vista com bons olhos pelo ator. "Não tenho medo de ficar sozinho. Eu assumo a solidão e tiro proveito dela. Gosto dos meus tempos comigo mesmo, não fico naquela ansiedade de ter de estar o tempo inteiro acompanhado ou rodeado de gente", garante.
Outro olhar
Para Gianecchini, ter sido diagnosticado com câncer em 2011 e se curado da doença foi um divisor de águas em sua vida. "Talvez se não tivesse passado pela doença, não teria todo esse autoconhecimento. E não foi só o câncer, foi tudo o que veio a partir dali", afirma. Além de se conectar de forma mais profunda consigo mesmo, ele desenvolveu certa espiritualidade. "Não tenho uma religião específica. Descobri que o caminho é um só e está tudo dentro da gente. No fundo, tudo resvala para o amor, é esse sentimento que vai levar você a entender as coisas e dar o próximo passo", reflete. ("A Lei do Amor", Globo. De segunda-feira a sábado, às 21h20).