As gravações de "Nada Será Como Antes" geram uma prazerosa sensação de "déjà-vu" em Osmar Prado. Na pele do poderoso político e empresário Pompeu Queiroz, o ator relembra passagens importantes de sua própria trajetória no vídeo, em especial da época em que a televisão era feita ao vivo. "A gente tinha sempre de estar pronto, com texto memorizado e tudo ensaiado para não passar por vexame", garante.
Sem grandes doses de nostalgia, ele é testemunha ocular das transformações tecnológicas e comportamentais pelas quais a tevê passou. Entretanto, aos 69 anos, acredita que o ato de representar é o grande elo entre passado e presente. "Tenho mais de 50 anos de carreira e vivi esses primórdios. Fiz televisão ao vivo durante quase uma década, em uma época onde os grandes atores ignoravam um pouco o vídeo, estavam envolvidos em suas companhias e projetos teatrais. E eu lá, vivendo meu sonho, fazendo tudo na hora, sentindo a magia que era entrar na casa das pessoas. Trabalhei na televisão artesanal, acompanhei seu processo de industrialização e hoje ela é internacional", relembra.
Natural de São Paulo, Osmar tinha apenas 10 anos de idade quando entrou para a novela "David Copperfield", da TV Paulista. Nos anos 1960, integrou o elenco do primeiro folhetim produzido pela Globo, "Ilusões Perdidas", de 1965. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Manchete e SBT, mas sempre retornando à Globo, onde se fixou a partir de 1998.
Com uma imensa lista de personagens marcantes, o ator lembra com carinho dos tipos mais populares de sua trajetória, como o divertido Tabaco, de "Roda de Fogo", e os sofridos Sérgio Cabeleira e Tião Galinha, dos sucessos "Pedra Sobre Pedra" e "Renascer", respectivamente. Para ele, o importante hoje, é trabalhar. "Minha mãe não queria que eu seguisse a carreira artística, mas não teve como ir contra. Já me desentendi ao longo de trabalhos por conta do 'business' que rege a tevê, pedi para sair de "Renascer" no auge do Tião Galinha porque não concordava com os planos do executivo da Globo para o personagem, por exemplo. Mas, mesmo assim, sempre tive convites valiosos de diretores e autores. Continuo avaliando as oportunidades e sempre disposto a trabalhar", revela. ("Nada Será Como Antes", Globo. Terças-feiras, às 22h30).