Boas ou más, as personagens de Letícia Spiller geralmente caem para uma linha mais intensa. O corpo esculpido na medida certa, os profundos olhos azuis, o rosto expressivo e o gestual todo particular da atriz entregam a origem dessa "força". "Sou meio teatral mesmo. Gosto de atuar com o corpo e aproveitar todas as possibilidades que o meu físico permite. Agora estou unindo essa expressão com a minha voz", detalha.
Atualmente, toda essa intensidade está a favor de Lenita, a roqueira independente que interpreta em "Sol Nascente". "Estou amando cantar em cena. É muito legal unir minha paixão pela música e pela atuação na televisão", valoriza.
A chance de fazer uma personagem de forte inspiração musical fez Letícia adiar suas longas e merecidas férias. Afinal, desde 2009, a atriz de 43 anos vem tendo pouco tempo de descanso entre trabalhos como "Viver a Vida", "Malhação", "Salve Jorge", "Joia Rara", "Boogie Oogie" e "I Love Paraisópolis".
A boa relação que mantém com a tevê, ela acredita, é reflexo de suas escolhas. Desde a estreia no "Xou da Xuxa", passando pela transição para a carreira de atriz com "Despedida de Solteiro" e a repercussão da popular Babalu, de "Quatro por Quatro", Letícia sempre tentou aliar os quesitos sorte, talento e disciplina. "Ser só uma boa atriz não é suficiente. Fico muito feliz de estar construindo uma carreira diversa e múltipla. Atuar é minha paixão, mas venho flertando com outras habilidades", conta, referindo-se à sua porção produtora de cinema e teatro.
Nobres renúncias
A busca por diversificação e autonomia artística fez com que Letícia dissesse "não" algumas vezes para a tevê. A grande maioria dessas recusas aconteceu no início dos anos 2000, época em que estava mergulhada no teatro alternativo de diretores como Hamilton Vaz Pereira e, em seguida, passou a investir mais no cinema, em filmes como "Oriundi'' e
"Paixão de Jacobina''. Neste período, Letícia precisou raspar a cabeça e teve de recusar o convite de Glória Perez para viver a icônica Jade, de "O Clone''.
Pouco tempo depois, a atriz recusou o convite de Luiz Fernando Carvalho para protagonizar a minissérie "Os Maias". "Lidei bem com 'O Clone'. A novela era maravilhosa, mas acho que foi o momento da Giovanna (Antonelli). Porém, sofri muito vendo 'Os Maias'. Tudo naquele projeto era apaixonante. Me arrependi de não ter feito", conta. ("Sol Nascente", Globo. De segunda-feira a sábado, às 18h20).