Vera Holtz é do tipo de pessoa que se considera uma operária em sua profissão. Depois de tipos mais caricatos e ligados à comédia, ela interpreta Magnólia, a grande vilã de "A Lei do Amor". Apesar do peso que ser a antagonista carrega, Vera garante que não faz grandes ressalvas na hora de escolher seus papéis. "Eu não procuro esses personagens, eu encontro", diz, com segurança. A atriz ainda estava finalizando as gravações de "O Rebu", exibida pela Globo em 2014, quando recebeu o convite dos autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari.
No folhetim dirigido por Denise Saraceni, Magnólia é uma mulher focada em seus objetivos pessoais. A personagem aceitou de bom grado a função de "mulher de político" - na história, é casada com Fausto, interpretado por Tarcísio Meira - e não mede esforços para que seus planos saiam do jeito planejado. "O mantra dela é: 'faço tudo pela minha família'. Ela justifica todas as maldades dela em cima disso, de achar que está fazendo o que é certo pela família", conta a atriz.
Alçada ao posto de vilã de novela, Vera acha graça que sua personagem seja rotulada assim. "Embarco totalmente na história e não fico julgando", jura. Segundo a atriz, se manter imparcial diante dos acontecimentos da novela é a melhor forma de realizar seu trabalho com isenção. "É uma ficção. Eu tenho de ir atrás daquela trama. É essa disponibilidade que eu tenho de ter", argumenta.
Com o adiamento de "A Lei do Amor" - a novela seria exibida antes de "Velho Chico", mas, por seu tom político, foi passada para depois do período eleitoral, Vera pode interpretar Magnólia também no prólogo do folhetim, que se passa nos anos 1990. "Achei ótimo poder explicar com mais propriedade quem é aquela mulher e os contextos dela", afirma. Mas, para isso, precisou fazer uma preparação para aparecer mais jovem. Mark Coulier, vencedor do Oscar por seu trabalho em "A Dama de Ferro" e "Grande Hotel Budapeste", foi o responsável pela caracterização. 
Nascida em Tatuí, no interior de São Paulo, Vera está perto de completar 30 anos na Globo, onde estreou em "Bebê a Bordo", de 1988. No entanto, sua carreira como atriz começou no teatro, muito antes. Ela já foi diretora, trabalhou com figurino e sonoplastia, além de fazer figurações e até vender ingressos. "Trabalho sempre feliz porque não crio muitas expectativas em relação ao futuro. O acaso me agrada bastante. E eu também não lembro muito do passado", entrega, aos risos. ("A Lei do Amor", Globo. De segunda-feira a sábado, às 21h20).