A presença de Selma Egrei em novelas é bissexta. Basta analisar os últimos anos da trajetória da atriz para perceber que ela se envolve mais com projetos curtos - como "Os Experientes", "Felizes Para Sempre?" e "O Astro" - do que com folhetins. "Eu faço muito teatro. Os seriados surgiram como uma oportunidade e foram coisas que me interessaram. Eram produtos muito bons, com diretores e textos muito bons. Acabei fazendo mais", justifica. Mas foi impossível resistir ao convite de Luiz Fernando Carvalho para interpretar a ranzinza Encarnação, em "Velho Chico".
Na atual novela das 21 horas, Selma tem a chance de experimentar, em teledramaturgia, a linguagem lúdica e conceitual que o diretor costuma estabelecer em seus projetos de menor duração. "O Luiz tem uma maneira diferente de trabalhar, com uma preparação mais profunda antes de começar a gravar uma novela. Tem muita semelhança com o que se faz em teatro", compara.
A atriz é a única do elenco de "Velho Chico" que está na novela desde a primeira fase. "A Encarnação está agora com um pouco mais de 100 anos, é toda uma trajetória de vida. Na primeira fase, ela era a dona da casa, era um pouco mais agressiva. Agora, tem um lado mais sombrio. Tem muita amargura, é uma pessoa sofrida", avalia a atriz, ressaltando outro lado da personagem. "Ela tem mais humor até para o sofrimento, e consegue tirar um pouco de ironia das situações. Uma coisa que eu acho que a idade deu". ("Velho Chico'', Globo. De segunda-feira a sábado, às 21h20). (T.P.)