Compartilhe
Alexandre Borges mantém um olhar questionador sobre sua profissão. Longe do glamour e das tradicionais afetações da profissão, o intérprete do simpático Aparício, de "Haja Coração'', revela que, a cada novo projeto, procura reconstruir a visão sobre seu trabalho. Mesmo com papéis de destaque e com um sólido status de galã na Globo, o ator carrega consigo as mesmas curiosidades e incertezas de quando iniciou sua trajetória. "Penso e raciocino bastante antes de um trabalho. Em todo personagem busco descobrir o que pode me acrescentar profissionalmente. Não quero me repetir. Nunca me acomodei em um rótulo de galã maduro ou grisalho (risos)'', afirma.
Natural de Santos, em São Paulo, Alexandre estreou na tevê em 1993, quando participou de "Guerra Sem Fim'', exibida pela extinta Rede Manchete. Desde seu primeiro trabalho na televisão, o ator sabia que nunca poderia se deixar cair na temida zona de conforto.
Ao longo de seus anos no veículo, passou por tipos cômicos, românticos e misteriosos. No entanto, estão na comédia seus principais projetos, como o malandro Danilo, de "Laços de Família'', e o estilista Jacques Leclair, de "Ti-Ti-Ti''. "A única coisa que me importa sempre é fazer um bom trabalho. Não sou de ficar escolhendo projeto. Chego e tento me adaptar ao que me é apresentado'', ressalta.
A televisão sempre se mostrou um veículo bastante plural para o ator. Há 23 anos na tevê, passeou pelos mais diversos horários dramatúrgicos da Globo. Apesar de cada faixa ter uma especificidade de gênero, ele acredita que é bastante tranquilo para se adaptar. "Quando você tem o texto em mãos, se adequa ao tipo de linguagem. Novela das sete é muito eclética. Há um público adolescente e senhoras também. Tramas ousadas e outras mais retrógradas. É um equilíbrio muito difícil de conquistar", aponta.
Memórias
As novelas estão presentes na vida de Alexandre Borges desde a infância. Filho de pais separados, o ator lembra que era telespectador assíduo de folhetins. Ainda assim, durante a exibição original de "Sassaricando", em 1988, estava iniciando sua carreira como ator em São Paulo. Por isso, não tem grandes memórias da obra de Silvio de Abreu. Apenas dos personagens mais icônicos.
"Sempre vi muita novela. Mas, naquela época, estava começando no teatro e não tinha muito tempo para ver tevê. Mas me lembro muito do Paulo Autran (Aparício), da Claudia Raia (Tancinha, hoje vivida por Mariana Ximenes) e do Alexandre Frota (Apolo, atualmente interpretado por Malvino Salvador", afirma. ("Haja Coração", Globo. De segunda-feira a sábado, às 19h30).