Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) deflagraram, na manhã de ontem, a Operação "Takedown", uma ofensiva para derrubar um grupo responsável por criar uma "administração paralela" em duas grandes operadoras de canais e internet por assinatura. O esquema permitia acesso aos servidores das empresas. Isso possibilitava a captação de novos assinantes e alteração da base de valores dos pacotes.
Os envolvidos faziam uma composição que, em alguns casos, reduzia em 90% o valor lançado no boleto oficial e criava uma linha de pagamento própria, cobrada diretamente do cliente. A operação aconteceu na cidade de São Paulo e nos municípios de Barueri, Jandira, Mogi das Cruzes e Osasco, num total de 22 mandados de busca e apreensão. Os prejuízos atingem a cifra de R$ 3 milhões.
A Operação Takedown - um terno usado no sentido de derrubar uma grande estrutura - foi preparada a partir das apurações feitas por policiais da 4ª Delegacia DIG (Investigações de Crimes Cometidos por Meios Eletrônicos) durante um ano. As investigações chegaram até um esquema cujo ponto de partida é uma firma em Barueri, que oferece soluções de informática.
O proprietário, ex-funcionário de alto escalão de uma das operadoras, criou em um servidor próprio uma linha de acesso ao banco de dados dos clientes da antiga empresa. O login e senha permitiam alterar as fichas cadastrais e as mensalidades dos assinantes. Quem se interessava em operar no paralelo desembolsava de R$ 3 mil a R$ 5 mil por um pacote de 15 dias de fraudes.
O esquema atraiu proprietários de firmas especializadas em instalação de equipamentos de televisão e informática, que passaram a oferecer planos mais camaradas das operadoras.
Segundo o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da 4ª DIG e coordenador da operação, os envolvidos estavam divididos em três grandes grupos: Núcleo Mogi, Núcleo Osasco e Núcleo São Paulo. Pelo menos 22 pessoas integravam essas células.
Segundo Araújo Filho, mesmo assinantes legítimos das empresas eram enganados porque acreditavam que estavam tratando com um representante autorizado que podia fazer as alterações. O delegado também encontrou outro problema. O esquema podia inserir qualificações falsas de clientes, o popular "fantasma", gerando um mercado de captação de golpistas, que teriam acesso à internet para realizar fraudes e dificultar o rastreamento do envolvido.
Mais uma
Passou por Mogi das Cruzes e Suzano também outra operação ontem, a Concórdia. A blitz foi contra criminosos especializados em furtos de celulares no Largo da Concórdia, em São Paulo. Porém, os dados do que foi obtido na operação não foram divulgados.