Falha no sistema de freios e alta velocidade. Foi esta combinação que causou o acidente com um ônibus da viação União do Litoral, ocorrido no último dia 8, no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), em Bertioga, matando 17 universitários e o motorista e deixando vários feridos. A divulgação do laudo foi feita ontem pelo secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, durante entrevista coletiva que ele concedeu à imprensa sobre as estatísticas criminais, em São Paulo.
"A conclusão é que o veículo trafegava numa velocidade acima da máxima permitida na via e que o exame dos freios do veículo concluiu que ele apresentava deficiência na frenagem devido ao desgaste excessivo dos tambores dos freios dianteiros, que deveriam ter sido substituídos por novos, demonstrando manutenção inadequada do veículo", divulgou o secretário.
O laudo da perícia foi elaborado pelo Núcleo de Física do Instituto de Criminalística (IC).
Mágino explicou que a conclusão do exame permite constatar que houve falha mecânica no freio e que o excesso de velocidade apontado pode ter sido decorrente dessa falha. "Há uma responsabilidade clara. O laudo aponta falta de manutenção", complementou.
O resultado do laudo não surpreendeu o advogado José Beraldo, que defende familiares das vítimas fatais e acionará, judicialmente, a Prefeitura de São Sebastião e a empresa de ônibus. "O que eu falei se confirmou. Foi uma tragédia pré-anunciada. Irei requisitar uma perícia complementar, porque acredito que os cintos de segurança também não estavam a contento. Foram 18 mortes. O ônibus estava sucateado", pontuou o advogado.