No intervalo de cinco anos, o número de casamentos cresceu apenas 0,2% nos cartórios do Alto Tietê. Para o sociólogo Afonso Pola, os dados refletem uma tendência nacional, onde as uniões informais estão se tornando cada vez mais comuns. Mesmo, com o aumento de 12% registrado na última década. De acordo com a Fundação Seade, em 2006, 8.675 casais da região oficializaram a união, enquanto que no ano passado, 9.717 passaram pelo mesmo processo. Já em 2011, o total de casamentos registrados foi de 9.688.
Segundo Pola, a variação entre os diferentes períodos não quer dizer que as pessoas estão deixando de se casar, mas sim, que está havendo uma mudança na forma como os casamentos estão sendo instituídos. "Até os anos 1960 o Brasil era predominantemente rural. Isso implica em certos hábitos, como a própria obrigatoriedade do casamento. Com a transição para um País urbano, muitos costumes sofreram mudanças. A instituição casamento mudou. Então, tem sido cada vez mais comum as pessoas se associarem sem ser por aqueles tramites tradicionais. Muita gente tem deixado de casar no civil e no religioso", disse.
Outro fator que pode ter contribuído para essa diferença no indicador é o fato das pessoas estarem deixando a casa dos pais cada vez mais tarde. "O processo de casamento vem sendo retardado. No século passado, a idade com que as pessoas casavam era bem inferior das de hoje", comentou.
Municípios
Em Mogi das Cruzes, 2.283 casais se uniram por matrimônio civil em 2006, contra 3.796, no ano passado, o que representa uma elevação de 66,2% durante a década. Já no comparativo entre 2011, quando 2.924 enlaces foram oficializados em cartório, e 2016, a elevação foi de apenas 29,8%.
Suzano, por sua vez, registrou um crescimento de 23,6% no total de uniões formais contabilizadas no comparativo entre 2006 e 2016. Isso porque no primeiro ano foram 1.528 registros civis, enquanto que no segundo, o saldo ficou em 1.889. Já entre 2011 (1.611) e o ano passado a variação apresentou alta de 17,2%.
Seguindo na contramão dos indicadores, Salesópolis foi o município que registrou a maior redução no total de casamentos registrados ao longo dos últimos 10 anos. Os vínculos legais registrados em 2006 e 2016 foram respectivamente 85 e 70, o que representa uma queda de 17,6%. Na maioria das cidades, os números apresentaram pequenas alterações. Veja mais informações no quadro nesta página.