Por dia, uma pessoa é estuprada no Alto Tietê. Só no primeiro semestre deste ano, 191 foram vítimas de violência sexual na região, 10% a mais que no mesmo período de 2016, que registrou 173 casos. Mais da metade é relacionada ao abuso de vulneráveis, ou seja, crimes de pedofilia ou envolvendo pessoas portadoras de deficiência. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo.
Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano correspondem a 64,3% das ocorrências na região. São os municípios onde ocorreram o maior número de estupros. Juntas, essas cidades somam 123 vítimas desse tipo de crime, sendo que 80 delas são consideradas vulneráveis ou indefesas.
No total, a região registrou 130 ocorrências de estupro de vulneráveis. Para a advogada Maria Margarida Mesquita, os números chamam a atenção. Ela também é plantonista da Sala Rosa da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Suzano e atende muitos casos de violência doméstica, mas também alertou para os principais riscos da pedofilia. "As ocorrências relacionadas ao estupro de vulneráveis envolvem os casos de pessoas que possuem algum tipo de deficiência e até mesmo crimes de pedofilia com crianças e adolescentes", explicou.
A advogada ainda orientou as famílias a monitorarem o acesso das crianças nos computadores e celulares. "É importante os pais ficarem atentos às amizades dos filhos e controlar o uso da Internet, porque a maior parte dos casos são contatos feitos pelas redes sociais", lembrou.
Um quarto dos crimes registrados na região ocorreu em Itaquaquecetuba, onde 50 pessoas foram vítimas de ataques neste ano, 38,8% a mais do que em 2016. Destes, 60% são crianças ou pessoas com algum tipo de deficiência.
Mogi das Cruzes fica na segunda posição do ranking da violência sexual no Alto Tietê. O município teve, neste ano, 40 vítimas de ataques de violência sexual, das quais 28 são consideradas vulneráveis.
Embora Suzano tenha registrado uma pequena queda nos índices de estupros (8,3%), em relação ao primeiro semestre de 2016, os dados ainda chamam a atenção, já que dos 36 casos deste ano, 22 ocorrências foram registradas como estupro de vulnerável.
"Esses números são as ocorrências que chegam ao nosso conhecimento. Mas ainda existem casos em que a vítima não procura as autoridades para registrar o boletim de ocorrência", destacou a advogada Maria Margarida.
As denúncias podem ser feitas por meio do telefone 180, que está disponível 24 horas por dia. Mas a vítima também pode procurar a delegacia mais próxima.