Existe um conflito permanente entre mentiras e fatos. E a história política do Brasil está recheada dessas disputas. No início dos anos 90, durante a CPI que investigava as denúncias de corrupção patrocinado pelo governo Collor, a defesa e o entorno do então presidente, iam mudando as versões de acordo com o surgimento dos fatos que evidenciavam tais práticas.
Como afirmei em recente artigo nesta mesma coluna, um dos momentos mais marcantes da CPI, foi quando Collor e seus aliados mais próximos criaram a famosa “Operação Uruguai”. Tal versão afirmava que foi contraído um empréstimo no valor de US$ 5 milhões junto a uma instituição financeira em Montevidéu. Versão essa que foi desmascarada pelos fatos.
O mesmo vem ocorrendo em relação ao Flávio Bolsonaro. A cada vídeo ou mensagem vazada, corresponde a um desmentido, que logo depois vem um fato que confirma aquilo que foi desmentido. Foi assim no caso do áudio em que ele pede mais dinheiro ao Vorcaro, o dono do banco Master. “É mentira, de onde você tirou isso?” Disse ele na manhã do dia 13 de maio para um jornalista. Na tarde do mesmo dia, com a divulgação do áudio, ele admitiu a ligação, mas disse que não o conhecia, que só havia tratado do dinheiro para o filme “Dark Horse”. O “fala irmãozão” repercutiu muito nas redes sociais.
Depois veio a foto com o Sicário de Vorcaro. Imediatamente o desmentido. Disse que a foto era manipulação por IA. Como a foto havia passado por diversas checagem que constataram que era autêntica, ele disse que era uma pessoa pública que tirava foto com muita gente. Só que na foto em questão, ele e o Sicário estão vestidos de forma descontraída (o Flávio sem camisa), em um ambiente que não parece ser local público.
Nos bastidores de Brasília, muitos acreditam que tem ainda mais coisas que podem ser divulgadas com potencial de atingi-lo. Tem a tal festa das astronautas organizada pelo Vorcaro nos EUA. São inúmeras as coisas mal explicadas.
Antes de interromper o pagamento das cotas para o filme, Vorcaro repassou para Flávio R$ 61 milhões. Dinheiro esse que foi transferido para os EUA, para o fundo Havengate, fundo esse que conecta Vorcaro, Eduardo e Flávio Bolsonaro.
Assim, a campanha de Flávio vai de mal a pior. Tem ainda a crise com a Michele e a Damaris, o que deve repercutir bastante no voto feminino e evangélico, e o vídeo do Paulo Figueiredo, braço direito do Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele afirma que mulher não sabe votar, e que as casadas votam melhor por influência de seus maridos.
É uma candidatura que possui inúmeros defeitos e nenhuma ou quase nenhuma virtude.
Afonso Pola (acelsopp@gmail.com) é sociólogo e professor