O atual nível dos juros no Brasil representa um desafio permanente para o desenvolvimento da indústria nacional. Apesar da continuidade do ciclo de redução da taxa Selic, atualmente em 14,25%, esse movimento ainda é insuficiente para mitigar os impactos sobre o acesso ao crédito e a disposição do consumidor para adquirir bens duráveis.
A indústria de transformação é diretamente afetada pelo elevado custo dos juros, uma vez que o financiamento mais caro desestimula investimentos essenciais, como a ampliação das plantas industriais, a modernização do parque fabril e os aportes em inovação. Além de desacelerar a produção, esse cenário compromete a competitividade da indústria brasileira frente a outros países.
As taxas de juros também influenciam diretamente o comportamento do consumidor. Com o crédito mais caro, as famílias tendem a adiar compras de maior valor, especialmente de bens duráveis, como geladeiras, fogões, televisores, motocicletas e automóveis.
Embora a redução da Selic represente um avanço, o Brasil ainda está entre os países com as maiores taxas básicas de juros do mundo. O controle da inflação é um objetivo legítimo e necessário, mas os efeitos dessa política sobre a atividade econômica não podem ser desconsiderados. Com o crédito mais caro, empresas, trabalhadores e consumidores acabam arcando com os custos.
Juros elevados restringem o crescimento econômico e limitam a capacidade de expansão da atividade produtiva. Além disso, contribuem para aprofundar o processo de desindustrialização observado nos últimos anos, com impactos sobre a competitividade do país, a geração de empregos e o desenvolvimento da economia nacional.
A redução da Selic é, sem dúvida, um passo importante para o fortalecimento do ambiente de negócios e para a retomada do crescimento econômico. No entanto, essa não pode ser uma medida isolada. É fundamental que venha acompanhada de ações voltadas ao equilíbrio das contas públicas, com foco na racionalização dos gastos e no aumento da eficiência do Estado.
Renato Rissoni é diretor regional do CIESP Alto Tietê