Prometida pela FIFA como a maior da história, a Copa do Mundo de 2026 foi organizada com três países sedes (EUA, Canadá e México) e a participação de 48 seleções de todos os continentes.

A Seleção Brasileira fez uma campanha pífia, sendo eliminada pela Noruega ainda na segunda fase. A equipe recebeu duras críticas pela falta de raça, pelas escolhas táticas da comissão técnica e a convocação de determinados jogadores em detrimento de outros. Mas o vexame não foi só da nossa seleção. Essa copa teve, e está tendo, vários aspectos vergonhosos.

Mesmo antes de começar, alguns problemas graves ocorreram, provocados pelo principal país sede, os EUA. Omar Abdulkadir Artan, eleito o Melhor Árbitro Africano de 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), teve seu visto negado, apesar de viajar para os EUA com um passaporte diplomático,

A seleção do Uzbequistão passou pelo constrangimento de ser revistada por cães farejadores de bombas e uso de detector de metais. Já os jogadores iranianos, receberam autorização para entrar em território americano apenas para disputar as partidas da Copa do Mundo, mas não poderiam permanecer no país entre os compromissos. As três partidas da seleção foram realizadas nos EUA, implicando em viagens. E o jogador iraquiano Aymen Hussein, foi detido para interrogatório por 7 horas ao entrar nos Estados Unidos.

Mas não é só isso. Testemunhamos muitos erros de arbitragem. E a maioria dos erros e polêmicas recentes estão concentrados na campanha da Argentina. Além de inúmeros pênaltis favorecendo a equipe Argentina, faltas não punidas com o devido rigor, o presidente da FIFA já foi flagrado com reações de torcedor nos jogos dessa seleção. A anulação do segundo gol egípcio contra a Argentina, por falta na origem da jogada, também foi objeto de muita contestação;

No entanto, talvez o fato mais bisonho foi o presidente Trump confirmar que ligou para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para pedir a anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano Folarin Balogun. E a FIFA suspendeu o gancho, liberando o atleta, o que gerou forte debate internacional sobre interferência política no futebol.

Trump foi eleito democraticamente, mas governa como um ditador. O outro momento em que um governo interferiu no desenrolar da Copa do Mundo foi em 1978. Coincidentemente, a copa organizada pela Argentina, quando ela foi campeã, depois de uma vergonhosa e suspeita partida contra a seleção do Peru. Detalhe, reinava por lá um regime militar.

O profundo desrespeito ao espírito esportivo e lisura das competições, é mais um traço de regimes autoritários, sejam eles ditaduras ou não.

 

Afonso Pola (acelsopp@gmail.com) é sociólogo e professor