Vivemos a era do excesso. Exagero de informação, de estímulos, de anúncios, de conteúdos e de escolhas. Nunca estivemos tão conectados — e tão cansados. 

A hiper informação, a hiper digitalização e o avanço das inteligências artificiais mudaram profundamente a forma como o consumidor se relaciona com marcas e empresas. O digital continua essencial, mas o comportamento de compra passou por uma transformação importante: as pessoas já não querem apenas praticidade. Elas querem significado. 

No Dia das Mães, uma das datas mais emocionais do varejo, essa mudança fica evidente. O consumidor não compra apenas um presente. Entrega carinho, memória, afeto e reconhecimento. 

Em meio a algoritmos, automações e campanhas em massa, cresce uma sensação silenciosa: o esgotamento digital. O excesso de estímulo reduziu a capacidade de encantamento. O cliente já não se conecta facilmente com promoções vazias ou mensagens automáticas. Ele busca acolhimento, experiência e proximidade. Mais do que preço, valoriza ser bem atendido, ouvido e compreendido. 

A inteligência artificial ganhou espaço e trouxe eficiência. Mas ela não substitui empatia, escuta e presença. Por isso, empresas que conseguem equilibrar tecnologia e humanização tendem a se destacar. 

No Dia das Mães, pequenos gestos fazem diferença: uma embalagem personalizada, uma mensagem escrita à mão, um ambiente acolhedor ou um atendimento consultivo podem gerar mais conexão do que qualquer desconto. 

Nesse cenário, a capacitação da equipe faz toda a diferença. O olho no olho, a identificação com a marca e uma loja cuidadosamente pensada para a data são alguns dos fatores que ajudarão as empresas a se diferenciarem e a engajarem seus clientes. E, nesse dia, que tem em sua essência o amor, o cuidado e o carinho, nada melhor do que resgatar e evidenciar essas características por meio do serviço. 

O consumidor mudou. Hoje, ele quer menos pressão comercial e mais relacionamento, menos excesso e mais significado. Porque, no fim, as pessoas não lembram apenas do que compraram, mas sim de como se sentiram.

 

Kurth Tonn é analista de negócios do Sebrae-SP