Com a entrada em vigor do ECA Digital, escolas, hospitais e clínicas passaram a conviver com uma responsabilidade ainda mais clara no ambiente online: proteger crianças e adolescentes também no uso de sistemas, aplicativos, portais e canais digitais. A nova lei foi criada para reforçar a segurança de menores na internet, mas seus efeitos práticos vão muito além das grandes plataformas.

Nas escolas, o risco aparece no uso de plataformas educacionais sem critérios, na exposição indevida de imagem e no excesso de dados circulando entre aplicativos, grupos e sistemas. Em hospitais e clínicas, o cenário é ainda mais sensível, porque além de menores existe o tratamento de dados de saúde, que exigem proteção reforçada.

O erro mais comum é tratar segurança digital como assunto técnico ou distante da rotina. Não é. Em muitos casos, o problema começa em decisões simples: acessos mal definidos, coleta exagerada de informações, equipe sem orientação e ferramentas contratadas sem análise suficiente.

O caminho mais seguro continua sendo o mais objetivo: mapear quais sistemas tratam dados de menores, revisar acessos e contratos com fornecedores e treinar continuamente as equipes para evitar exposição indevida, uso incorreto de plataformas e falhas na comunicação com pais e responsáveis. Esse dever de prevenção e orientação é coerente com a própria lógica do ECA Digital.

O ECA Digital traz uma mensagem que não pode ser ignorada: não basta ter tecnologia. É preciso ter critério, processo e responsabilidade. Quem atende crianças e adolescentes precisa entender que proteger dados também é proteger confiança, reputação e a sustentabilidade da própria instituição.

Fábio Queiroz é CEO da SanviTI TSI, Especialista em Tecnologia e Segurança da Informação.