Na segunda semana do mês, tivemos a comemoração do Dia do Leitor. Em minhas redes sociais, provoquei os meus seguidores com a pergunta título deste artigo, pois para criar um hábito, é necessário decidir e planejar, algo que entre a minha audiência, poucos demonstraram tal interesse. Não é novidade, a leitura é um dos principais indicadores de desenvolvimento cultural e educacional de uma sociedade. Entre uma leitura de entretenimento, leitura crítica ou de estudos, ninguém nega a importância dessa arte em nossa vida diária. E quando observamos a forma que cada cultura consome a leitura comparado ao nosso país, é de ficar abismado. 

Pesquisas no segmento literário no Brasil de 2024 e 2025, apontam um panorama complexo para a leitura. Há a resistência do livro físico e um declínio no prazer da leitura entre jovens. A leitura disputa espaço, cada vez mais, com o tempo gasto em telas, redes sociais e conteúdos rápidos. Se considerarmos os estudantes, o nosso país ocupa a amarga posição 52 em leitura entre 81 países, como mostra o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), de 2022, com uma pontuação de 50% dos alunos brasileiros abaixo do nível básico de leitura. 

Mudar esse cenário exige condicionamento cultural, investimento em educação e ampliação do acesso ao livro. Mas exige também algo simples: escolha. O hábito da leitura não precisa começar com metas ambiciosas, pode nascer de uma página por dia, de dez minutos antes de dormir ou de um intervalo longe do celular. Não por acaso, países que hoje lideram o consumo literário, seguiram esse caminho que se tornou hábito. A Índia permanece no topo do ranking mundial de tempo dedicado à leitura, com média superior a 10 horas semanais, seguida por Tailândia, China e Filipinas. Nessas métricas, o Brasil sequer figura entre os 50 primeiros colocados, um dado que não pede mais explicações, mas mudanças. Entre elas, transformar essas informações em resultados promissores. 


Marcelo Barbosa é jornalista, pedagogo e psicanalista. Autor da trilogia “Favela no divã” e “A vida de cão do Requis”.