Na década de 60, à medida que o trem avançava sobre os trilhos da ferrovia da zona leste, próximo às estações, se viam várias placas anunciando clínicas populares de assistência médica cujo preço da consulta era imbatível, cinco vezes menos do que se cobrava num consultório particular. Andando pelas ruas da cidade vejo o passado no presente, ao deparar com muitas clínicas de atendimento médico-odontológico, talvez mais aprimoradas, usando a mesma estratégia daquela época, o baixo custo, a fim de atrair a clientela. 

Empresas especializadas têm agido com rapidez, e já conseguiram uma fatia de 8  milhões de usuários nesse mercado promissor da saúde, oferecendo cartões pré-pagos ou de descontos para a faixa de  clientes que deixaram de pagar, por insuficiência financeira, os caros convênios médicos ou  porque desistiram de ficar esperando nas longas filas do SUS a marcação de uma consulta. 

A crise financeira que se alastra pelo país tem levado 26% dos brasileiros a recorrerem primeiramente a informação médica da internet ou mesmo se consultam com o "Dr. Google", como vem sendo chamado, porém, ele não é formado em Medicina nem sequer humano. O grande risco é que as consultas tem ido além das queixas comuns como dor de garganta, cefaleia, resfriados, alergias para quadros de ansiedade e depressão, ou doenças mais graves somadas a possíveis complicações que podem desenvolver cibercondrias (hipocondrias). 

Os pacientes consultam o Dr. Google, fazem seu diagnóstico e usam o médico como meio autorizado a solicitar exames e a prescrever medicamentos. Albert Einstein comentou há algumas décadas: "Tenho medo do dia em que a tecnologia superará o relacionamento humano. O mundo terá uma geração de idiotas". O mundo apressado empurra a ciência médica a andar de braço dado com a Tecnologia, mas não deve esquecer que quem toca a pele toca a alma. Este é o segredo da Medicina Humanizada que converte o Dr. Robô em gente. Telemedicina sim, sem afastar o médico do paciente.


Mauro Jordão é médico.