Quando eu era criança, escrever uma cartinha para o Papai Noel era um ritual. Papel, lápis de cor e a expectativa de ganhar um presente que faria meu coração vibrar. Nesses pouco mais de 40 anos, tudo mudou: as cartas viraram cliques, os pedidos são feitos por voz e as entregas chegam no mesmo dia. Mas algo permaneceu igual — o desejo humano por conexão e significado. 

O comportamento do consumidor evoluiu e o marketing digital também. Hoje, temos inteligência artificial, campanhas personalizadas, dados em tempo real e ferramentas capazes de prever preferências. Porém, nenhuma tecnologia substitui o que realmente move uma venda: emoção, história e propósito. 

O Natal é o melhor exemplo disso. Não é apenas uma data comercial; é um convite para marcas e empreendedores criarem experiências que tocam o coração. O cliente quer sentir que é único. Quer ser ouvido. Quer perceber que por trás da tela existe alguém que se importa. 

A Inteligência Artificial pode ajudar a criar legendas, imagens, automações e até prever momentos de compra, mas o encantamento nasce do humano — da autenticidade da mensagem, do cuidado no atendimento, da narrativa que transforma um produto simples em um presente cheio de significado. 

Vender no Natal não é apenas aproveitar o aumento da demanda. É entregar sentimento. É transformar cada postagem, cada vídeo e cada conversa no WhatsApp em uma "nova cartinha", não para pedir algo, mas para oferecer valor. No fundo, continuamos escrevendo cartas — só mudamos o destinatário. Hoje, escrevemos para nossos clientes, dizendo: "Estou aqui, e quero fazer parte do seu momento especial." 

Esse é o verdadeiro poder do marketing natalino: unir tecnologia e humanização para criar experiências que ficam na memória. O ano passa, a campanha termina, mas a emoção permanece. É assim que se vende mais — e melhor. 



Kurth Tonn é analista de negócios do Sebrae-SP