O estrategista prussiano Helmuth Von Moltke escreveu em seus ensaios que "nenhum plano sobrevive ao campo de batalha", ressaltando a aleatoriedade da vida e a necessidade de qualquer gestor, civil ou militar, de estar pronto para adaptar-se às necessidades que surgem sem aviso prévio. Mas, passados tantos anos, certas questões não podem ser mais relegadas ao improviso e ao imediatismo.

A tragédia da cidade de Petrópolis não é uma novidade ou uma intempérie imprevista, infelizmente. Um breve olhar ao passado mostra que em 2011 a mesma região sofreu com as chuvas, com quase mil mortos; em abril de 2010, a cidade do Rio de Janeiro contabilizou 231 mortes, também pelas chuvas. Ainda estávamos em choque pelas mortes que atingiram as cidades de Franco da Rocha, Arujá, Embu das Artes, Várzea Paulista e tantas outras. Isso sem olhar para as tragédias do século passado, as enchentes, as famílias deslocadas, os prejuízos e a perda da prosperidade e dignidade de milhares de pessoas.

Tanto hoje quanto na época já se chamava a atenção para dois pilares fundamentais para a preservação da vida da população: a prevenção por meio de políticas públicas habitacionais, e a necessidade de um aparato adequado para detecção, alerta e ações de defesa civil. As chuvas que nos atingem desde a virada do ano não são uma surpresa, não surgem de "lugar nenhum".

Os investimentos em meteorologia, sistemas de alertas por sirenes e redes de aviso pela telefonia celular passaram a ter o seu papel, mas ainda há espaço para mais. Atuações como os Núcleos Populares de Defesa Civil (Nupdec), que qualificam e capacitam a população em áreas de risco, são um bom começo, mas não podem mais serem tratados como uma experiência ou política pública de terceira grandeza.

A busca por investimentos junto aos governos do Estado e federal, às agências de fomento não pode ser apenas para construir pontes e prédios suntuosos, mas para quitar nosso crônico e desgraçado déficit habitacional, de maneira a dar dignidade e segurança para a população.