A Polícia Federal no Rio deflagrou ontem a Operação Sólon para investigar a prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligados a delitos eleitorais. Integrantes da maior milícia do Rio, incluindo seus fundadores, estariam almejando cargos no Legislativo e no Executivo nas eleições de 2020 para retomar poder na zona oeste do município.
Os investigadores verificaram ainda, por meio de relatórios de inteligência financeira (RIFs), movimentações financeiras atípicas nas empresas ligadas aos investigados. Os valores possivelmente seriam destinados aos gastos de campanhas eleitorais.
Foram 12 mandados de busca e apreensão em residências, comitês de campanhas e empresas ligadas aos envolvidos. Entre eles, estão o ex-deputado Natalino Guimarães e seu irmão, o ex-vereador Jerominho. Os dois são acusados de fundar a Liga da Justiça, milícia com atuação nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, e ficaram cerca de 11 anos na cadeia - saíram em 2018. Também alvo da operação, a filha de Jerominho, Carminha, concorre à Câmara do Rio neste ano pelo PMB.
Materiais de propaganda eleitoral de Carminha foram apreendidos ontem. Nas redes sociais, a campanha está a todo vapor, com direito a vídeos do pai participando de agendas e pedindo votos. Jerominho chegou a se apresentar como pré-candidato a prefeito, mas apenas como forma de despertar atenção para o sobrenome da família e impulsionar a empreitada da filha. (E.C.)