O rápido crescimento das cidades traz mais oportunidades e comodidade aos moradores e, quando executado de forma organizada, os benefícios são significativos. O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), por exemplo, estuda meios para atrair mais indústrias e fábricas para as cidades da região. Planejar o crescimento econômico e industrial dos municípios, porém, inclui muito estudo e, um dos pontos fundamentais é a mobilidade urbana, que precisa acompanhar esse desenvolvimento.
Dentre tantas preocupações e prioridades desse universo, o pedestre é uma delas. No ano passado eles foram vítimas de quase metade dos acidentes de trânsito em São Paulo. Já neste ano o número de mortes desse nicho apresentou um aumento de 71% no Alto Tietê. Vinte e quatro pedestres perderam a vida no primeiro semestre em Itaquá, Ferraz e Mogi. No mesmo período do ano passado, foram 14 mortes. Apenas em Mogi, 14 pedestres morreram de janeiro a junho deste ano. Itaquá aparece em seguida, com oito mortes, e Ferraz com duas. Já nos primeiros seis meses do ano passado, Mogi contabilizou sete mortes violentas, enquanto em Itaquá foram seis e Ferraz uma. Um aumento significativo e preocupante. As campanhas de conscientização, como o Maio Amarelo, são importantes, mas não suficientes. É preciso estar atento aos investimentos que as vias merecem receber, para que tenhamos, cada vez mais, um trânsito menos mortal.
Importante lembrar também que nem sempre a culpa por esses números é do motorista. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece, desde 1997, multa aos pedestres que descumprirem a legislação. No entanto, por falta de regulamentação, as autuações não eram aplicadas. Já em outubro de 2017, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) publicou uma resolução que definiu as regras de multas para pedestres e ciclistas. A lei deve ser cumprida dos dois lados - pedestres e motoristas.
O poder público deve ser cobrado, mas também temos a obrigação de fazer nossa parte como cidadãos. É uma via de mão dupla.