Sabemos que violência e segurança são hoje temas de grande preocupação da população. A escalada da violência nas grandes regiões metropolitanas e até mesmo nas cidades pequenas transmite uma enorme sensação de insegurança e medo promovendo intensas mudanças de hábitos e costumes na população.
Como Mogi das Cruzes é uma cidade média e pertencente a uma região metropolitana, a percepção de seus habitantes sobre a violência não é diferente daquela que existe em outras cidades. Mesmo quando nosso município não é o palco de determinados crimes, a ocorrência e divulgação nos aproximam deles. Principalmente nos dias de hoje, quando notícias e imagens são desesperadamente compartilhadas pelas redes sociais.
A ausência de políticas públicas de segurança com a desejável consistência fez com que a escalada da violência se intensificasse muito nas últimas décadas. O Atlas da Violência 2018 apresenta dados assustadores. O Brasil tem taxa de homicídio 30 vezes maior do que a Europa. O número de pessoas assassinadas na última década no país supera meio milhão. Já são mais de 60 mil homicídios por ano.
Esse quadro eleva a questão como uma das principais preocupações dos brasileiros, o que favorece o surgimento de discursos que pregam ainda mais violência.
Na verdade, o agravamento da violência se dá justamente pela escolha apenas da via da repressão como forma de se tentar resolver o problema. A violência está diretamente relacionada aos inúmeros problemas sociais de uma dada sociedade, principalmente o grau de desigualdade apresentado por ela. A comparação dos índices de violência apresentados por países ricos e pobres não deixa dúvida.
Ações articuladas envolvendo políticas públicas diferentes (educação, saúde, cultura, esporte, qualificação profissional etc), muito provavelmente produziriam resultados muito mais eficazes.
Facilitar o comércio e a obtenção do porte de armas é uma proposta profundamente temerária. É mais ou menos como apagar incêndio com gasolina.