A falta de políticas públicas voltadas à inserção social de estudantes imigrantes e refugiados é algo que, se não preocupa agora, deveria, mas, inevitavelmente obrigará os responsáveis pela Educação a elaborar planos mais minuciosos sobre o assunto futuramente.
A repórter Lílian Pereira, do Grupo Mogi News, fez um levantamento junto às prefeituras do Alto Tietê, em julho, para entender melhor quais ações diferenciadas são realizadas nas escolas que contam com alunos estrangeiros. De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, as matrículas de estudantes estrangeiros nas dez cidades da região aumentaram em 12 %, se comparado março de 2017 com o mesmo período deste ano.
Em Poá, por exemplo, o número é pequeno de estudantes estrangeiros na rede, apenas seis. Segundo a prefeitura, os professores desses alunos têm acesso a um computador durante as aulas para traduzirem as orientações aos estudantes. Pode não ser o suficiente, mas esse método, pouco utilizado em outras redes, já é um passo importante visando um melhor aprendizado.
A assessoria da Prefeitura de Ferraz reconheceu a importância de uma visão mais crítica em relação ao tema, respondendo que "há muitas barreiras quando se trata da matrícula de alunos estrangeiros: documentação e registro escolar, linguagem, cultura. Por isso, a escola precisa se adaptar para recebê-los e enfrentar esse desafio. Políticas públicas estão como meta a longo prazo".
Em Suzano, a administração municipal relembrou ainda que a Secretaria de Educação incluiu esse ano, no seu programa de formação para professores, uma palestra voltada ao tema. Mogi das Cruzes conta, atualmente, com 26 alunos efetivamente matriculados, mas não comentou sobre nenhuma política específica que atenda a esse nicho.
O aumento da demanda ainda vai mostrar que o problema principal não está na matrícula, mas na inserção dos conteúdos e na integração à estrutura educacional. Com tantos problemas de falta de investimento e infraestrutura, as escolas brasileiras não estão preparadas nem para receber os alunos nacionais. A língua é o de menos.