O crescimento no número de estudantes estrangeiros nas escolas da região nos últimos anos revela uma realidade que já não pode ser encarada como um problema a ser solucionado. A convivência com imigrantes, legalizados ou não, é um fato que precisa de um tratamento mais profundo, com considerações sociais e, principalmente, humanitárias. O levantamento sobre a quantidade de alunos de outros países foi realizado pela Secretaria Estadual de Educação e publicado pelos jornais Mogi News e Dat no sábado passado.
Num cálculo matemático simples, se cada um dos 360 estudantes que chegaram ao Brasil estiver acompanhado dos pais e de mais um irmão, situação comum no êxodo das famílias, teremos um contingente de quase 1,5 mil pessoas. Então, a abrangência do acolhimento dessa população vai além de colocação nas escolas. Temos de considerar condições de moradia, trabalho e saúde, para afunilarmos a questão humanitária. Essas pessoas precisam sobreviver e, para isso, há necessidade de trabalho e renda. Elas também necessitam de abrigo e atendimento médico.
Diferentemente das ações radicais do governo norte-americano, por exemplo, que em atitudes extremas decidiu separar filhos e pais, as instituições governamentais no Brasil devem primar pela manutenção da estrutura das famílias como forma de minimizar a já tão sofrida situação desses imigrantes. A decisão de abandonar a pátria e se aventurar em terras estrangeiras não é fácil. No caso dos refugiados da Síria e do Iraque, a motivação é fugir da guerra para sobreviver. Já para os 185 bolivianos citados na pesquisa, o objetivo é trocar o estado de pobreza por uma perspectiva de futuro mais promissora.
Dessa forma, as prefeituras do Alto Tietê devem analisar os casos com maior atenção. O primeiro passo seria localizar e cadastrar as pessoas, para identificar a situação de cada um e criar um plano de acolhimento. Se há 110 anos a região abriu as portas para os japoneses e hoje colhe os frutos da força da cultura oriental, talvez seja o momento de estabelecer um processo de adaptação para esses povos imigrantes do século XXI.