Há mais de 30 anos, pelo menos, já se debate a questão da sobrevivência do rio Tietê. Nesta semana, quando se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, a temática voltou a ser foco de discussão, sem, como sempre, se chegar a uma conclusão positiva. O fato é que o rio tem uma importância vital para o Estado, histórica e econômica, mas também é fundamental pelos aspectos ecológico e ambiental.
O codinome de rio teimoso surgiu inicialmente pela rota invertida que suas águas seguem. A nascente do Tietê fica na cidade de Salesópolis, numa antiga fazenda particular distante a cerca de 20 quilômetros do oceano Atlântico. Desobediente, o rio corre geograficamente no sentido contrário, cumpre um percurso de 1.150 quilômetros e vai desaguar no rio Paraná, depois de passar por 62 cidades, apenas no trecho paulista.
Nessa trajetória, o Tietê tem acentuada a sua personalidade de teimoso. Ao receber diariamente cerca de 700 toneladas de esgoto domiciliar sem qualquer tipo de tratamento nos municípios por onde passa, o rio sai da condição de potável na nascente para atingir o estado de morto, em Itaquaquecetuba, com nível zero de oxigênio. Contribui para esse falecimento, o volume de dejetos químicos lançado por muitas indústrias que, beneficiadas por medidas políticas sob a suspeita ótica de compensação com empregos e renda, se instalaram nas suas marginais.
Depois de percorrer mais de 500 quilômetros, o rio renasce, alimentado por uma grande quantidade de água limpa dos afluentes. Sábia, a natureza opera o sistema de despoluição e o devolve à vida, fazendo ressurgirem peixes e plantas nativas. O processo seria bem mais viável se os órgãos responsáveis cumprissem com a sua parte. As prefeituras precisam pensar mais seriamente em projetos para o tratamento do esgoto domiciliar.
Por melhor intenção demonstrada pelas ONGs ligadas ao meio ambiente, que lutam exaustivamente pela recuperação e preservação do Tietê, sem a ação continuada dos governos estadual e municipais, a história do rio vai ser contada para muitas gerações sempre com o mesmo desfecho: um curso de água que sobrevive por absoluta teimosia.