A recente reunião entre Trump e o ditador norte coreano Kim Jong-Un, trouxe a lume uma das aberrações do regime totalitário por esse comandado: o direito à procriação é vetado às detentas, através do aborto forçado, ou do infanticídio. O absurdo da sanção tem servido aos críticos do caudilho, bem como provocado reações e desagrado entre os que cultuam o Direito.
Nem todos, porém, ao que parece, abominam a atitude! Dias atrás, entre nós, que nos jactamos de viver em país democrático, promotor de Justiça e Magistrado se incumbiram de copiar a idéia, aplicando a cruel reprimenda corporal.Janaína Aparecida Quirino, acusada de traficar drogas juntamente com o marido, e presa na interiorana Mogi Guaçu, foi retirada de sua cela e, coercitivamente levada à Santa Casa da cidade, submetida à laqueadura. Para tanto, o magistrado atendeu ao pedido de representante do Ministério Público que, alegando desrespeito à Lei de Planejamento Familiar, por ser a encarcerada mãe de oito filhos, que se dão ao consumo de álcool e drogas, requereu a extrema medida.
Defesa lhe foi negada; não houve quem por ela intercedesse; não lhe foi permitido escolher! Consumou-se o ato, mesmo após parto recente, com as fragilidades da mulher em tais ocasiões! Afinal, era presa comum, daquelas que não despertam a atenção, que não têm vez ou voz! Seu drama, se viesse a lume, acreditavam, não mereceria repulsa ou seria digno de nota!
Membros de uma casta que se julga na atualidade, salvo raríssimas exceções, acima de tudo e de todos, preocuparam-se com a "raça pura", enquanto, quem sabe, fecharam os olhos para as clínicas de aborto, que sem peias, pululam por aí; abstiveram-se de valorar as condutas das "endinheiradas", das nascidas em "berços bons", que delas se valem para se desfazer dos rebentos gerados em momentos de prazer!
Descrente das instituições, deploro a covardia do ato - pintado com cores de legalidade -, e me confesso assustado com atos de tal insensatez!