A questão da demanda no sistema viário dos municípios tem sido tema recorrente em diversos círculos de debate nos últimos dias. Tanto no que se refere às vias urbanas, com problemas básicos de sobrecarga de veículos ou transtornos no trato com os pedestres, como no eterno assunto de rodovias mal planejadas, pessimamente conservadas, sempre sujeitas a buracos e deslizamentos.
Foi assim durante o período de 21 dias de bloqueio da rodovia Mogi-Bertioga, em todas as oportunidades que as incansáveis vistorias permitiram. Quem teve a palavra, aproveitou para falar sobre duplicação, obras de ampliação, modernização de placas informativas... e por aí vai. Até mesmo o governador Márcio França (PSB), quando anunciou a liberação da estrada, discursou sobre a demanda do sistema de transportes.
Dois dias depois, o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), durante visita realizada em Mogi das Cruzes, respondeu a diversas perguntas sobre o tema. Falou com desenvoltura a respeito de investimentos, estudos e planejamentos. Também os deputados da região e alguns vereadores, sempre que possível, anunciam propostas de reforma aqui, melhoria ali, planos para isso e solicitação de verbas para aquilo.
Ao que parece, tudo não passa de uma retórica eleitoral. Um discurso bem articulado e planejado para conquistar simpatia e votos. Tem funcionado bem, na maioria dos casos. Os eleitores ainda acreditam em promessas, principalmente quando têm conhecimento de causa e - não há como negar - o transporte afeta a todos.
Mas também é preciso destacar um lado positivo nesta pauta. Campanhas como o Maio Amarelo, que tratam principalmente da melhoria no quesito segurança e buscam o índice zero de vítimas fatais nas estradas, têm despertado a conscientização dos motoristas. Até mesmo o programa Bairro Feliz, da Prefeitura de Mogi, tem a Escola Mirim de Trânsito, que debate o tema desde a infância.
A bem da verdade, a dicotomia que o assunto conduz fica balançando entre o discurso e a prática. Resta a todos escolher um lado.