Tragédia iminente. Esta é a melhor forma para definir a atual situação de descaso enfrentada pela rodovia Mogi-Bertioga (SP-98). Na madrugada de quarta-feira, um novo deslizamento ocasionou a terceira interdição da estrada apenas nos últimos 20 dias. Segundo estimativas do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), perto de 500 toneladas de terra, vegetação e pedras se desprenderam na encosta do quilômetro 89. Sem verificação de chuva forte no momento, a razão do desmoronamento foi atribuída ao solo encharcado pelo acúmulo de água.
Levantamento do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) mostra que houve um aumento de mais de 800% no volume de chuvas somente no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado na região. Isso pode explicar o terreno encharcado. Por mais que se tenha avançado na tecnologia em previsão climática e na antecipação de acidentes naturais, há fatores nessa área que são imponderáveis. A natureza não deve, em nenhuma hipótese, ser desafiada.
Por sorte, o acidente não registrou vítimas, mas se nenhuma ação séria e definitiva for tomada, essa situação pode ser dramática caso ocorra outra queda de barreira. O DER promete um levantamento geológico na região para poder atuar na prevenção de acidentes naturais. Da mesma forma, o departamento tem realizado as obras necessárias de limpeza e contenção nas encostas. Os vereadores mogianos, por sua vez, também mostraram preocupação ao discutir e cobrar das autoridades ações mais contundentes.
O principal foco, entretanto, é com a questão de segurança. Ao liberar parcialmente a rodovia, o DER tem colocado em risco a vida dos motoristas. Há de se considerar também que um bloqueio integral da estrada por um período prolongado traz prejuízos para moradores, comerciantes, caminhoneiros e estudantes que se utilizam da via. Mas não se deve conviver com o medo constante de um novo deslizamento. Transitar por qualquer estrada não é uma prática lotérica. Um dia, a sorte pode acabar.