Foi comemorado ontem o Dia Internacional da Mulher e, em meio a tantos eventos alusivos à data em toda a região, mais um caso de feminicídio foi registrado, desta vez em Itaquaquecetuba. Natali Melo dos Santos, de 26 anos, foi morta a facadas pelo homem com quem havia retomado o relacionamento recentemente, e um agravante, tudo ocorreu na frente da filha deficiente visual, de apenas seis anos.
Diante de casos assim, a sensação que se tem é de que ao mesmo tempo em que se avança um passo em busca da igualdade e da preservação dos direitos, dois passos são dados no sentido contrário. As muitas conquistas das mulheres ao longo dos anos ficam em segundo plano, como o direito ao voto e a ascensão no mercado de trabalho, ocupando postos antes exclusivos dos homens, mesmo com salários ainda inferiores.
O feminicídio não tem relação com renda ou escolaridade, mas com o fato de ser mulher e dizer não a uma determinada situação, se negar àquele que se acha superior de alguma forma, geralmente se aproveitando de sua força física ou da dependência financeira da vítima. E o risco não é apenas de morte, como pode ser um estupro ou outro tipo de agressão, também por meio de atitudes e palavras ofensivas.
Estamos em 2018 e o pensamento de alguns ainda está em tempos passados, quando se julgava ter poder sobre as mulheres e suas decisões. É preciso respeitar o direito de ser o que se deseja, escolher com quem quer estar, e não ser obrigada a aceitar algo que não lhe convém, o que vale também para qualquer outro gênero.
Para reverter este quadro, um exemplo positivo no combate à violência contra a mulher é a Patrulha Maria da Penha, projeto suzanense que completou três anos e se tornou referência para outras cidades do país. E agora instituída como lei, graças à iniciativa da vereadora Gerice Lione (PR). O texto foi aprovado em fevereiro pela Câmara e publicado ontem. Segundo ela, tem como objetivo fortalecer o respaldo dado às vítimas. Passo importante para se mudar a realidade vivida hoje por muitas mulheres. Que seja assim também em outras cidades.