Hoje, nosso artigo, fugindo do habitual, homenageia uma notável aniversariante, a cidade de Mogi das Cruzes, cuja fundação se reporta ao ano de 1560, como minúsculo vilarejo de repouso de expedições de bandeirantes. Tempos em que jesuítas e colonizadores portugueses se mesclavam aos indígenas que por estas terras habitavam, tudo a distantes 457 anos de existência. A fundação da então Vila foi oficializada somente em 1º de setembro de 1611, elevada a cidade em 1865 e em à Comarca em 1874.
Nosso município, dos mais antigos do País, viveu assim o nascimento do Brasil de colônia a monarquia independente e República até nossos dias, passando por fases que a transformaram na grande e progressista cidade que é, com uma população de aproximadamente 434.000 pessoas (de acordo com o IBGE neste ano), portanto gigantesca em população e território (712 km²), no comparativo com tantas cidades. Algumas peculiaridades históricas aliás mostram que Mogi das Cruzes dos tempos das sesmarias coloniais abrangeu território ainda maior, se estendendo até o que hoje são municípios como Monteiro Lobato, São José dos Campos entre os quatorze que de Mogi surgiram.
São diversos os fatos históricos que despertam interesse aqui. A então "Villa de Sant'Anna das Cruzes de Mogy Mirim" já teve a exemplo do início de sua história a administração conduzida pela Câmara, que concentrava um misto de três poderes, inclusive com função judiciária com um Juiz de Vara auxiliado por dois vereadores, conforme registra a obra "História do Judiciário de Mogi das Cruzes" do saudoso Prof. Isaac Grimberg, com o fidalgo Braz de Piña e Antonio da Paz como primeiros juízes da Villa, tempos de padrões legais do Reino Português, e séculos após, em 1874, Mogi se tornou Comarca, então sob leis imperiais, com seu primeiro Juiz, o Dr. Candido Xavier de Almeida e Souza, nome que intitula a avenida onde se encontra o Fórum Sede da Comarca. Muito mais a história registra, afinal, 457 anos legalmente documentados não são para qualquer localidade.