Em tempos de sustentabilidade e consciência ambiental, a situação em que se encontra o Alto Tietê em relação a medidas para atenuar o problema da destinação do lixo gerado precisa melhorar bastante. Poucas cidades daqui têm algum tipo de estrutura especial para receber, separar e comercializar os resíduos recicláveis recolhidos onde o serviço tem alcance.
O que vai fazer a diferença é a atuação do Poder Público nesse sentido. Se as Prefeituras investirem mesmo com atenção e de maneira significativa, a ponto de conseguirem mudar o comportamento das pessoas e inserirem o hábito da necessidade de separação do lixo, aí sim essa problemática caminhará a passos largos rumo a resoluções profícuas.
Criar programas, mapear o território, desenvolver plano de ações, fazer um diagnóstico do lixo, incentivar cooperativas, oferecer estruturas e dar suporte em mão de obra, são diversas as maneiras. O assunto tem que ser pensado e debatido sempre. Quanto mais a população cresce, mais resíduos surgem e mais abrangentes precisam ser as soluções.
Ao mesmo tempo, é imprescindível que haja verdadeiramente condições para que as pessoas tenham certeza de que o lixo reciclável que separam em casa seja realmente tratado como tal. Do contrário, de nada adiantará incentivar a prática se não houver um resultado que possa ser constatado.
É uma via de mão dupla. As Prefeituras incentivam a população a reciclar e a vontade e a prática do cidadão forçam as autoridades a continuarem agindo e concretizando ações para essa finalidade. Os ecopontos, por exemplo, que tanto têm dado certo em Mogi das Cruzes, são um caminho. É necessário todo um trabalho conjunto na sequência para que o ciclo seja fechado.
O importante é que todas as cidades acordem para isso. Itaquaquecetuba, por exemplo, é a segunda mais populosa do Alto Tietê e precisa pensar urgentemente nessa questão, até mesmo porque a dificuldade só tende a aumentar com mais e mais moradores.
Incentivar as cooperativas talvez seja o melhor caminho, pois gera emprego e renda ao mesmo tempo em que incita a consciência ambiental. Deu certo em Poá, por exemplo, com a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (Cruma), entidade que existe há anos e que já atuava muito antes da criação de programas referentes à coleta seletiva.
Havendo vontade de todas as partes e também atitude, a região começa ter um vislumbre melhor sobre a questão da reciclagem do lixo, um desafio que cresce a cada dia.