O brasileiro convive com a violência há um bom tempo. E neste contexto não estamos dizendo apenas a violência comum, que ocorre por causa de discussões entre duas pessoas que terminam em tragédia, mas sim de um crime organizado que domina bairros e cidades, que cria bandidos de todos os tipos e tem nas drogas um de seus financiamentos. Podemos dizer que não lutamos contra a violência, mas lutamos para sobreviver junto dela.
Uma pena que nenhum governo brasileiro teve a capacidade de criar planos para uma melhor Educação no País, onde milhares de crianças seriam beneficiadas e se tornariam adultos melhores, com menos chances de cair no mundo do crime. Crianças que poderiam ser pais de família melhores e educar melhor seus filhos. Ou seja, um plano de governo para a Educação poderia causar vários benefícios a longo prazo.
Quem mora na região há mais de 20 anos tem histórias para contar. "Como era bom ficar na rua sem medo de ser assaltado", "éramos crianças livres e felizes", entre tantas conversas saudosistas de coisas que não existem mais. Infelizmente, Prefeituras tiveram culpa nessas transformações de comportamentos.
Em Mogi das Cruzes e Suzano, por exemplo, favelas foram transferidas para bairros de classe média, o que modificou por completo a vida das pessoas daqueles locais. Quem morou no distrito de César de Souza, em Mogi, sabe que após a transferência de moradores de Jundiapeba para o lugar acabou com um estilo de vida tranquilo que existia no distrito. A culpa não é das famílias transferidas, mas de quem planejou e aprovou tal medida.
Em Suzano não foi diferente. A região do Parque Residencial Casa Branca é outro exemplo de que a transferência de famílias muda por completo um bairro. Hoje, a região próxima à estrada dos Fernandes sofre com invasões, e seus moradores mais antigos reclamam que a cada dia aparecem pessoas novas, vindas de outros lugares e que não possuem os mesmos valores e a mesma educação de quem vive ali há mais tempo.
Sem dúvida, essas mudanças têm como objetivo melhorar a vida de quem mora em barracos ou favelas, mas podem prejudicar quem lutou para morar em um bairro um pouco mais tranquilo e seguro. Certamente, há muita gente boa em todos os grupos sociais, mas a falta de fiscalização e de planejamento eficiente causa essa alteração radical nos bairros das cidades.
Infelizmente, ninguém parece interessado em solucionar problemas, mas apenas criar formas de sobreviver junto a eles.