A situação em que se encontram vários locais públicos da região central de Mogi das Cruzes, ocupados por pessoas que não têm onde morar, como mostra reportagem publicada na edição de hoje, vem se agravando. Não é um problema novo, muito pelo contrário. Há muito tempo se convive com isso, ainda que a cidade disponha de abrigos e ofereça projetos voltados para esse público carente.
O fato é que nos últimos meses o volume tem ficado cada vez maior. A questão vai muito além da presença simplesmente. É o impacto que causa, principalmente em relação ao que é coletivo. O Largo do Bom Jesus, por exemplo, conhecido também como Praça São Benedito, é um local público que dificilmente é frequentado pela população, mas basicamente apenas pelas pessoas em situação de rua. Há quem evite passar por ali, que nem tenha vontade de se sentar no banco para conversar ou espairecer. A situação privou as demais pessoas do direito de usar aquilo que é de todos. Há motoristas também que evitam estacionar nas cercanias para não ser interpelado ou intimidado por alguém pedindo um trocado, às vezes de forma acintosa.
Pode soar como algo sem consideração ou falta de sensibilidade esse tipo de descrição, mas é o que se constata hoje no centro de Mogi. Aliás, uma situação que também se verifica em algumas cidades do Alto Tietê. Não tem como fechar os olhos, está ali, é o que acontece. São pessoas que, sem dúvida, precisam de ajuda, embora um grande número delas não quer isso ou não tem condições de escolher por si o que é melhor do que a situação deplorável em que está. Os motivos são vários: vício, conflitos familiares, doenças, desemprego etc.
Quem transita por locais tomados pelos moradores de rua se depara com cenas lamentáveis, discussões, brigas e sujeira. São problemas sociais que ficam ainda mais evidentes a partir do comportamento dessas pessoas. É necessário saber o que de fato o Poder Público promove para mudar essa triste realidade de maneira eficiente.
Infelizmente, sempre haverá homens e mulheres em situações assim. Então, sempre haverá a necessidade de se pensar nelas, oferecer oportunidades para que possam recuperar sua dignidade. Esse é o verdadeiro desafio. As autoridades têm o dever de proporcionar isso, ao mesmo tempo em que essas pessoas também precisam querer aceitar e se ajudar. E quem não tem condições de escolher, em especial aqueles que sofrem com vício ou doença mental, por exemplo? Vale o auxílio compulsório? É a eterna discussão.