Soluções mais simples e menos dispendiosas, muitas vezes, podem ser as melhores opções para o Poder Público em se tratando de problemas que se arrastam há tempos e, principalmente, em momentos de crise que fazem apertar o cinto e frear os investimentos. A escolha certa pode não apenas dar um direcionamento melhor a determinado assunto como também estimular que suas consequências positivas se ampliem, se propaguem e alcancem um resultado além daquele que se esperava.
Mais uma vez, Mogi das Cruzes dá exemplo no Alto Tietê. O distrito de Jundiapeba ganhou oficialmente ontem o terceiro ecoponto da cidade. Um local apropriado para que a população descarte materiais inservíveis que podem ser reciclados. De lá, seguem para a Usina de Triagem da Vila São Francisco, e os catadores da cooperativa Cata-Sampa separam e dão o destino correto aos detritos.
Além de ser uma construção de baixo custo e que teve uma execução muito rápida para que estivesse à disposição do público rapidamente, o ecoponto acaba atuando com sua presença na conscientização ambiental das pessoas. Evita que esses materiais sejam descartados em locais impróprios e colabora com o meio ambiente na medida em que cria a oportunidade de muitos itens lá deixados possam vir a ser reciclados. Ou seja, todo mundo ganha. E ainda mostra a preocupação do agente público com a problemática da destinação de lixo e entulho e com a manutenção da ordem, da limpeza e da qualidade de vida da população, uma vez que ajuda o lugar onde vive a não ficar com aspecto de abandono e a não correr riscos, como proliferação de animais peçonhentos, doenças, alagamentos etc.
Atualmente, Mogi produz 300 toneladas de lixo por mês. Em 2013, a cidade reciclava 0,5% do que era recolhido. Neste ano, o índice chega a 6%, justamente como reflexo da presença desses ecopontos e da execução dos projetos Recicla Mogi e Cata-Tranqueira, que começaram há quatro anos.
Não se trata de uma solução definitiva, nem mesmo resolverá a questão do lixo na cidade. Mas a iniciativa de se criar locais realmente eficazes, em que as pessoas possam confiar que os materiais que para lá levam terão a destinação correta, e de se estimular a atenção da população com o Meio Ambiente já é algo que faz muita a diferença, inclusive na formação de futuros cidadãos mais conscientes a partir das crianças de agora que tratam o ecoponto como algo essencial. Esse sim é um resultado prazo positivo e tanto.