Quem nunca se compadeceu ao ver um morador de rua ou crianças e deficientes físicos pedindo esmolas ou vendendo balas em semáforos? Este cenário é corriqueiro e está presente há décadas na maioria das cidades brasileiras. E diante desse quadro nós podemos escolher entre ser o "anjo da guarda momentâneo" da pessoa ou não doar, o que, por vezes, pode nos parecer uma atitude dura demais.
A maioria da população sabe que doar, principalmente dinheiro, não ajuda a resolver esse problema social, apenas alivia a necessidade instantânea do morador de rua ou da pessoa em situação vulnerável. Mas por fazer bem a nós mesmos, muitas vezes, optamos por "ajudar ao próximo". Como alertou o secretário de Segurança de Mogi das Cruzes, Paulo Roberto Madureira Sales, fazer doação não resolve a questão.
Último levantamento das Prefeituras do Alto Tietê aponta que existem mais de 1,8 mil pessoas em situação de rua na região. Até pela alta quantidade desse público nas ruas a população muitas vezes escolhe por fazer a doação. Pensamos: "Já que o governo não toma providências, pelo menos farei minha parte". O pensamento é genuíno, mas acaba por incentivar a permanências dos sem-tetos nas ruas. Para piorar, muitas vezes, nossas doações servirão como moeda de troca para drogas.
O trabalho para mudar essa situação é árduo, porque na maioria dos casos os moradores de rua não querem sair desta situação, haja vista que muitos são usuários de drogas e não estão dispostos a seguirem as regras que lhes são impostas nesses espaços das Prefeituras.
Ou seja, por mais duro que seja, estaríamos mesmo fazendo nossa parte se não fizéssemos doação e se cobrássemos mais uma solução do Poder Público. É o governo quem terá capacidade para oferecer a "vara para pescar". Motoristas e pedestres, no entanto, só podem dar o peixe pronto para comer e, enquanto esse círculo vicioso não acabar, as ruas estarão cada vez mais tomadas por pessoas sem condições de se sustentar.
E não adianta dispersar esse público dos centros da cidade. Valeria se o objetivo principal fosse urbanístico, mas não é. Trata-se de um problema social muito mais sério. A cracolândia, na capital paulista, é um exemplo disso. Muitas pessoas em situação de rua não estão mais lá após os confrontos com a polícia, mas agora perambulam pelo entorno.
O problema é difícil de resolver, mas está nas mãos dos governantes. Havendo interesse, certamente, acharão uma solução.