Com o aumento do frio nos último dias, é impossível não se compadecer das pessoas que vivem nas ruas. É possível encontrá-las em todo lugar, se virando como podem para se aquecer. E o mais triste é exatamente isso, o fato de haver muita gente nessa situação, de várias idades. Reportagem recente já mostrou que mais de 1,8 mil pessoas estão nessas condições atualmente em todo o Alto Tietê.
Por esse motivo, se torna ainda mais fundamental a atuação do Poder Público no sentido de garantir que possam pelo menos passar uma noite abrigadas e não no relento. Hoje o jornal destaca que as Prefeituras estão ampliando o atendimento a esse público, mais especificamente nas abordagens e nos acolhimentos em albergues disponíveis por meio de parcerias com entidades sociais e filantrópicas.
Em Mogi das Cruzes, o número de vagas nesses locais já foi ampliado de 156 para 176. Da mesma forma, em Suzano há uma flexibilização na capacidade de acordo com a demanda, ou seja, se mais pessoas em situação de rua procurarem, os abrigos estarão à disposição para atendê-las.
Mas a vontade própria e a iniciativa voluntária do desabrigado, infelizmente, não são comuns. Haja vista a quantidade de pessoas que insistem em morar em praças, calçadas e sob marquises. É preciso saber mais do porquê desse comportamento. As justificativas podem ser inúmeras, desde o receio em estar num lugar e duvidar da segurança e de sua integridade até o fato de estar sempre com outros indivíduos na mesma situação que a sua nas ruas. Sem contar que como vários grupos atuam para prestar auxílio levando alimentação, de dia ou de noite, muitos sabem que podem contar com isso e não saem de onde estão. Da mesma forma, é delicado esperar que as Prefeituras atuem de maneira forçada, nem podem. Além disso também tem a questão do vício em drogas e álcool. A preferência pela rua pode surgir pela facilidade ao acesso, por exemplo.
O fato é que o Poder Público faz a sua parte ao pensar nessas pessoas e oferecer um teto provisório a elas, assim como entregar cobertores e roupas e arrecadados durante Campanhas do Agasalho que são promovidas anualmente. Mas também é necessário atuar pelo convencimento a saírem de onde estão e proporcionar uma expectativa melhor de futuro, com algum tipo de capacitação ou mesmo parceria com a iniciativa privada que possa reinseri-los no mercado do trabalho. Mais do que recuperar a dignidade dessas pessoas é fazer com que a sociedade continue vendo a humanidade nelas. Não se pode perder isso.