Há exatos 50 anos tinha início o movimento hippie em São Francisco, cidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Revoltados com o caminho que o país seguia, norte-americanos que eram contra a guerra do Vietnã se uniram para buscar paz e amor. Com o reforço da cultura pop, esses jovens revolucionaram o pensamento das novas gerações e conseguiram levar suas ideias para todo o mundo.
Nos dias de hoje, a mensagem dos hippies estão nos bares de Mogi das Cruzes, Guararema, Salesópolis, Suzano ou Poá. Nas vozes e sons de cantores e bandas, e também na cabeça de alguns adolescentes, que apesar de tanta modernidade ainda utilizam símbolos hippies em roupas e acessórios. Para se ter ideia dessa influência, no mês passado, Poá realizou um festival de música e o vencedor foi o cantor Renato Ignacio, que se veste como um hippie em seus shows.
Em Mogi, jovens e adultos também mantêm relações com a cultura hippie. Viagens para a cidade de Trindade, no Rio de Janeiro, ou São Tomé das Letras, em Minas Gerais, por exemplo, são comuns, principalmente entre universitários mogianos e moradores da cidade. Uma mostra de que a semente plantada há 50 anos não parou de germinar.
No entanto, é preciso concordar que o movimento se comprova como um sonho quase utópico. Muitos hippies da região se tornaram apenas moradores em situação de rua. É comum ainda ver pessoas com roupas do estilo nas praças de Mogi ou de Suzano, mas, infelizmente, o lema paz e amor está longe desses locais, que se tornaram áreas perigosas. Outros estão pelas praias e também não costumam demonstrar um espírito elevado ou carregar mensagens de um mundo melhor.
Apesar de tantas mudanças e derrotas desse movimento, esses 50 anos podem ser comemorados. Até porque mudaram a forma de pensar de muitas pessoas, principalmente dos homens e mulheres que cresceram naquela época (anos 1960 e 1970) e lutaram por mais liberdade. Hoje, muitos deles são pais de família ou avós, que tiveram de se render ao capitalismo e ao sistema das grandes cidades, mas que de alguma maneira entenderam aquela mensagem.
Quem já passeou por cidades do Alto Tietê sabe que a cultura hippie está presente, seja na apresentação de um cantor de Taiaçupeba, em um restaurante em Salesópolis, no estilo de se vestir de um universitário mogiano ou nas apresentações de um festival de música em Poá. Utópica ou não, a mensagem de paz e amor ainda interessa para muita gente, inclusive aqui da região.