No final dos anos 1990, quando algumas pessoas começaram a andar com aparelhos celulares nas ruas, não imaginávamos o tamanho da revolução que estava para acontecer. Quem viveu essa época lembra que era comum ver gente atendendo o telefone e falando bem alto, como se quisesse expor aquele produto moderno recém-adquirido. Na virada daquela década, todo jovem queria um. O equipamento já não era tão pesado como antes, e cabia no bolso, seja financeiramente ou por causa do seu tamanho mesmo. De lá para cá o mercado encontrou um nicho, os aficionados por tecnologia viram uma oportunidade e um lançamento atrás do outro dominou o mundo.
Atualmente, temos tudo dentro deste aparelho - mapas, bússolas, previsão do tempo, cursos de idiomas, livros, vídeos, grupos de conversa etc. O novo canivete suíço é um milhão de vezes mais eficaz que o objeto que chamava atenção por tanta eficácia para diversos momentos da vida. Negar sua qualidade e necessidade é perda de tempo, mas vale a pena observar e pensar sobre como o ser humano está sendo dominado por essa máquina.
Hoje, o jornal publica uma reportagem sobre a quantidade de motoristas multados por utilizarem o celular enquanto dirigem pelas vias de Mogi das Cruzes. Este tipo de infração já está entre as cinco mais cometidas em 2017.
Muita gente, e não apenas os jovens, já percebeu esse problema. Poucos minutos sem o aparelho já lhes causam mal, uma sensação de vazio e até mesmo um desespero, como se estivessem sem ar, sufocados, ansiosos por uma mensagem, recebimento de um vídeo ou de uma imagem. O mundo virtual já é uma realidade. As famílias estão todas unidas dentro de um grupo do WhatsApp, os amigos de infância se reencontraram e hoje conversam diariamente pelo celular, empresas decidem suas ações pelo mesmo aparelho e casais se formam por meio de aplicativos de relacionamentos. O homem moderno não precisa saber de nada, ele precisa apenas de um celular.
As multas de trânsito para quem usa o telefone no trânsito deve se estender em breve para outros locais. Proibido usar celular em restaurantes, na sala de aula, no ambiente de trabalho. Caso nada seja feito, a tendência é afundarmos cada vez mais dentro desse mundo virtual. Da mesma forma que filmes e histórias, embarcar em um mundo paralelo pode ser muito interessante, mas há sempre o medo de ficar preso para sempre dentro dele.