Impossível não se indignar com os números que a violência produz no nosso cotidiano. Em vez de dados vemos pessoas, vítimas que surgem diariamente. Causa revolta por conta dos crimes em si e também pela ausência de ações eficientes por parte do Poder Público que venham realmente a reverter esse triste cenário. A impressão que se tem é que nada mais é suficiente para inibir que alguém pratique algum delito hoje em dia, a despeito da vilania e do desvio de conduta de potenciais criminosos espalhados por todos os cantos.
Nesta semana, o jornal divulgou a situação dos casos de homicídio. Embora tenham diminuído na maioria das cidades da região, à exceção de três, os índices continuam muito altos. Em Suzano, o acréscimo foi de 66% na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o de 2016: 15 ocorrências contra 9. Em Itaquaquecetuba, por exemplo, cidade mais violenta nesse quesito, não houve crescimento, mas em compensação a quantidade de pessoas assassinadas continuou igualmente elevada nos dois períodos analisados, com 18 casos.
Na sequência, uma nova reportagem mostrou em números outro cenário alarmante. Todos os dias, pelo menos uma pessoa sofre estupro no Alto Tietê. Para piorar e o que torna o resultado do levantamento ainda mais tenebroso, 68% dessas vítimas são menores de idade ou pessoas com algum tipo de deficiência. E na comparação entre o mesmo período, de janeiro a junho de 2016 e 2017, o aumento foi de 10%, com Itaquá também liderando na quantidade de ocorrências neste ano: 50, de um total de 191 na região.
Há leis específicas, serviços da Polícia Civil, das Prefeituras e de entidades, mas os crimes continuam, crescem. E ainda bem que muitos se dispõem a ajudar, mas é preciso que a sociedade toda se envolva no aprofundamento dessa discussão. Até mesmo porque o papel de cada cidadão é fundamental, inclusive, e principalmente, de quem pode se tornar vítima.
Exatamente por causa disso a primeira-dama de Suzano levou um projeto que é realizado na cidade para o Conselho dos Fundos Sociais de Solidariedade do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). Trata-se do "Não hesite, apite!", que incentiva o público feminino a usar o apito como uma espécie de "arma" contra agressores.
É mais uma tentativa de enfrentar a violência contra a mulher. Há que se ter ferramentas para coibir crimes desse tipo e conscientizar as pessoas, potenciais vítimas ou não, de que elas devem agir no combate a essa situação tão preocupante. Sem dúvida, uma iniciativa muito bem-vinda.