Os dados divulgados ontem pelo Atlas da Violência, que é um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), como de costume, surpreendem. Em todo o Brasil, cerca de três jovens morrem assassinados por hora, ou seja, um a cada 20 minutos. Os números mostram a vulnerabilidade social em que vivemos, provando que a falta de uma educação básica é um dos fatores determinantes para a maioria dos homicídios.
No Alto Tietê, a cidade de Itaquaquecetuba quase figura entre as 100 mais violentas. Lá, morre assassinada uma pessoa a cada quatro dias. Os dados já foram piores no passado, é verdade, mas ainda assustam. O jornal mantém uma equipe de reportagem todos os dias nas delegacias da região e Itaquá, sem dúvida, é a mais violenta se levantarmos a quantidade de reportagens sobre homicídios. Suzano não fica atrás, e depois temos Mogi das Cruzes. Infelizmente, os municípios do Alto Tietê sofrem bastante com a violência crescente.
Como já foi dito em entrevistas pelo comando da Polícia Civil e da Polícia Militar, a maioria dos assassinatos na região tem ligação direta com o tráfico de drogas. "Acerto de contas" costuma ser o motivo principal das mortes. Muitas vezes, os boletins de ocorrência registram apenas o seguinte no histórico: "Dois homens surgiram em uma moto e, armados, começaram a disparar contra a vítima". Essa tem sido uma das histórias mais contadas nas reportagens policiais.
A vida criminosa dura pouco e é por isso que a maioria das mortes são de jovens com idade entre 19 e 25 anos. Eles entram na vida bandida e não saem vivo dela. Para a solução do problema, o governo teria de ir na raiz, que está na família e também nas escolas. Praticamente todos os envolvidos com o crime têm baixa escolaridade, um histórico de problemas com a família e são viciados em alguma droga.
No Alto Tietê, alguns bairros já são sinônimos de violência e perigo, como a Terra Prometida, em Itaquá, partes do Miguel Badra, em Suzano, ou a Vila Estação, em Mogi das Cruzes. Todos sabem que esses locais contam com traficantes e bandidos, mas por algum motivo eles continuam dominando.
A população nacional e mundial triplicou nos últimos 50 anos. Com ela, a violência também, e hoje vivemos acuados, isolados e com medo dos bandidos. Muitos não compram mais casas por medo de serem assaltados, outros evitam sair à noite e grande parte já não anda nas ruas a pé. Sem segurança pública de verdade não há vida com liberdade, e sem liberdade não há felicidade.