Nunca houve dúvida de que a saída para o impasse envolvendo o atendimento de pacientes de outras cidades que não Mogi das Cruzes na unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) era justamente uma atuação regionalizada. E entende-se por isso a concretização de um convênio entre as Prefeituras com aporte regular de recursos para que a entidade possa dar conta da demanda e realizar novos investimentos. Ou seja, uma contrapartida justa: pagar pelas crianças que envia para conseguirem tratamento e, ao mesmo tempo, possibilitar que venha a se expandir e aprimorar o serviço.
Parece que agora tudo começa a andar para um futuro um pouco mais positivo. Nos últimos anos, cidades como Suzano e Itaquaquecetuba não contribuíam mais financeiramente com a AACD, mas também não interrompiam o encaminhamento de pacientes para lá, o que acabou sobrecarregando a unidade e deixando-a comprometida. Após o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) entrar no imbróglio, principalmente a partir da atuação veemente do secretário de Saúde de Mogi, Marcelo Cusatis, uma solução pareceu mais próxima de ser encontrada. E assim o foi. Um convênio regional está prestes a ser firmado, com o nome de "Consórcio da Saúde", em que as Prefeituras contribuem periodicamente com recursos financeiros para bancar o serviço de maneira ampliada. A previsão, conforme reportagem publicada na edição de ontem, é que a AACD possa vir a atender mais 200 pacientes de municípios da região a partir de agosto.
Com o investimento, a entidade será capaz de contratar novos profissionais e possibilitar uma estrutura adequada para receber crianças com deficiência que necessitam de atendimento de fisioterapeuta, fonoaudiólogo etc. Demorou muito para que isso acontecesse. Foi necessário mostrar a situação para convencer as Prefeituras. Atualmente, não há aqui qualquer opção de atendimento semelhante de forma gratuita, garantida pelo Poder Público. Em outras palavras, a opção no Alto Tietê é a AACD. E ainda bem, pois a entidade presta um serviço belíssimo, reconhecido em todo o País, fazendo um bem de forma desprendida a milhares de crianças e está disposta a atuar mais amplamente.
As autoridades da região não poderiam faltar às expectativas dos familiares de quem depende de um atendimento tão específico. Tomara que, em um futuro breve, a AACD tenha condições de prestar um serviço a mais gente ainda e com auxílio muito maior dos municípios. Que a mudança prevista para agosto seja apenas o início.