Uma das questões mais discutidas no Brasil é a falha segurança pública. Quanto mais idade tiver o cidadão, mais fácil fica de visualizar como fomos perdendo a sensação de segurança nas últimas décadas. Não há muito tempo, cerca de 20 anos atrás, os pais não ficavam tão preocupados como hoje se seus filhos saíssem para se divertir à noite. Há meio século, a sensação de segurança era ainda maior. Hoje, somos obrigados a ficar em alerta a qualquer hora do dia ou da noite, basta sair de casa para o nosso "alarme do medo" ser automaticamente ativado.
O início de uma melhora virá de políticas públicas que vão ao encontro dos anseios da população - mais emprego, moradia etc. Depois, mas não menos importante, é preciso que os policiais sejam cada vez mais bem treinados e ajam com eficácia nos momentos necessários. Muitas vezes, temos a sensação de que a polícia é treinada para reagir antes mesmo da abordagem. Sendo assim, os bandidos também ficam "treinados" para serem mais violentos, lutando pela própria vida. Em março, só para citar um exemplo, três adolescentes que moravam no Condomínio Aruã, em Mogi das Cruzes, foram mortos por policiais civis na Ponte Grande, após roubarem o caixa de um posto de combustíveis. Os agentes também têm o seu lado, afinal, além de terem que defender a sociedade, precisam defender suas vidas. A questão é como quebrar essa barreira de violência que se transformou em uma faca de dois gumes. É preciso pensar também em uma remuneração mais decente a esses profissionais, que estão rodeados de cidadãos que cada vez mais se cercam de muitos direitos e poucos deveres.
Esse tema tende a desaguar sempre na questão da falta de liberdade que a população tem para portar armas - outra discussão importante. Há quem acredite que é justo o cidadão ter o direito ao porte para se defender. O ponto central é se isso traria mais segurança ou somente uma falsa sensação, e se devemos partir para a saída mais desesperada - que é a segurança privada.
Violência gera violência e correríamos o risco de viver um verdadeiro bang bang, como nos tempos de faroeste norte-americano. Mais uma vez a polícia vira exemplo: a maioria dos profissionais dessa classe que morre baleada está fora do horário de expediente, quando reage a assaltos sozinhos. Se um policial tem grande chance de perder a vida nessa situação, imagine a população, que não tem treinamento para tal?
A saída individual para o problema é uma solução desesperada. A segurança bem feita só tem um caminho: a pública. Nunca a privada.